USA Rare Earth compra mineradora brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões
Transação bilionária garante à empresa americana o controle da produção de terras raras essenciais fora da Ásia, com apoio do governo dos EUA.
Anuncie Aqui
A USA Rare Earth, empresa americana, anunciou na segunda-feira (20) a aquisição da Serra Verde Group, mineradora brasileira que opera a única unidade fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos de terras raras cruciais para a fabricação de ímãs permanentes. A negociação está avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões e a conclusão está prevista para o terceiro trimestre de 2026.
O acordo envolve o pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro, além da emissão de 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth. A Serra Verde é proprietária da mina e planta de processamento Pela Ema, localizada em Goiás. A unidade iniciou sua produção comercial em 2024, após receber investimentos superiores a US$ 1,1 bilhão.
A operação da Serra Verde se destaca como a única no mundo ocidental a produzir em larga escala neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb). Esses elementos, conhecidos como “elementos magnéticos”, são amplamente utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones e equipamentos de defesa.
Integração da Cadeia de Produção
Com a aquisição, a USA Rare Earth assume o controle de toda a cadeia de produção de terras raras, desde a mineração até a fabricação de ímãs. A empresa expande sua atuação, que já inclui operações nos Estados Unidos, Reino Unido e França, para o Brasil. A USA Rare Earth já possui capacidade de separação, metalurgia e produção de ímãs, além de controlar o projeto Round Top, no Texas.
A Serra Verde também possui um contrato de 15 anos para fornecer 100% de sua produção de Nd, Pr, Dy e Tb a um fundo especial, capitalizado por órgãos do governo americano e investidores privados. O acordo estabelece pisos mínimos de preço para os quatro elementos, minimizando riscos e garantindo uma receita estável.
A Serra Verde projeta alcançar, até o final de 2027, uma geração anualizada de EBITDA entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões. A expectativa é que, juntas, as duas empresas produzam cerca de US$ 1,8 bilhão de EBITDA em 2030. A operação combinada terá uma liquidez pro forma de aproximadamente US$ 3,2 bilhões.
Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth, descreveu a compra como “transformadora”. Em nota, ela afirmou: “Serra Verde é um ativo único e o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer todos os quatro elementos magnéticos em escala”. Thras Moraitis, CEO da Serra Verde, ressaltou que a união acelera a criação de uma cadeia de suprimentos segura e diversificada. “Juntos, entregaremos uma solução integrada de terras raras em escala global”, declarou.
Com a conclusão da transação, Sir Mick Davis (ex-CEO da Xstrata e atual chairman da Serra Verde) e Thras Moraitis integrarão o conselho da USA Rare Earth. Moraitis também assumirá o cargo de presidente da companhia americana.
A operação conta com forte apoio governamental dos Estados Unidos, incluindo financiamento da U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e compromissos do Departamento de Comércio americano. A Serra Verde possui licenças ambientais válidas e opera com baixo impacto, sem rejeitos úmidos, utilizando energia renovável e biocombustíveis.
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
Ver mais matérias
Comentários