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Empresa do MS transforma microrganismos do Pantanal em corante natural para a indústria

Arandu Biotecnologia, impulsionada pelo Programa Centelha, inova ao criar alternativa sustentável aos corantes químicos e de origem animal.

22/04/2026 às 08:35
3 min de leitura

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Uma empresa de Mato Grosso do Sul está revolucionando a produção de corantes vermelhos. A Arandu Biotecnologia desenvolveu uma alternativa inovadora aos corantes químicos e aos tradicionais de origem animal, utilizando microrganismos encontrados no solo do Pantanal. O projeto, impulsionado pelo Programa Centelha, tem potencial para impactar diversos setores industriais.

A ideia surgiu a partir de pesquisas acadêmicas focadas na aplicação sustentável da biotecnologia. Microrganismos, como bactérias e fungos, são cultivados em um processo de fermentação controlada, resultando em um corante natural vermelho. O modelo de produção é contínuo e não depende de fatores climáticos ou sazonais.

O corante desenvolvido pela empresa sul-mato-grossense se destaca por não utilizar matéria-prima animal ou solventes químicos agressivos, minimizando os impactos ambientais. Além disso, atende à crescente demanda do mercado por produtos com rótulos limpos (“clean label”), que buscam composições mais simples, transparentes e alinhadas a padrões de consumo conscientes.

Apoio do Programa Centelha

Arthur Ladeira Macedo, sócio-fundador da Arandu Biotecnologia e pesquisador, destaca a importância do Programa Centelha para o desenvolvimento da empresa. “O Centelha foi o pontapé inicial para tirar a tecnologia do papel e consolidar as primeiras entregas técnicas e de estruturação”, afirma Macedo.

Com o apoio da segunda edição do programa, a empresa iniciou sua estruturação como negócio e avançou no desenvolvimento. “Atualmente, a Arandu está na fase de transição do laboratório para a escala piloto pré-industrial”, completa.

Segundo Macedo, essa fase de transição envolve a ampliação da produção para volumes maiores, próximos das condições reais da indústria, exigindo padronização, controle de qualidade e testes em diferentes aplicações. A empresa está trabalhando na validação do corante em ambientes industriais, garantindo desempenho, estabilidade e repetibilidade do produto, além de avançar em aspectos regulatórios e na estruturação da operação para atender o mercado. “O processo ainda se encontra em fase de ajustes técnicos, o que é esperado neste estágio de desenvolvimento”, explica.

Centelha 3

A experiência da Arandu Biotecnologia demonstra o potencial do apoio público à inovação para transformar pesquisa em solução prática. A terceira edição do Programa Centelha está aberta, com a previsão de selecionar até 47 propostas e investir um total de R$ 6,5 milhões.

Cada projeto selecionado poderá receber até R$ 89,6 mil em recursos de subvenção econômica, além de R$ 50 mil em bolsas de fomento tecnológico e extensão inovadora, concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), totalizando R$ 139,6 mil por iniciativa.

Podem participar pessoas físicas e empresas nascentes com até 12 meses de existência. As inscrições estão abertas até 11 de maio de 2026 e devem ser realizadas por meio do site oficial do programa.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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