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INTERNACIONAL

Emirados Árabes Unidos Anunciam Saída da Opep e Opep+

Decisão estratégica, a partir de 1º de maio de 2026, visa maior autonomia na produção de petróleo em meio a tensões regionais e busca por interesses nacionais.

28/04/2026 às 15:01
3 min de leitura
EFE/Barbara Gindl

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Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram nesta terça-feira (28) sua saída da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da aliança Opep+, liderada pela Arábia Saudita e da qual a Rússia também faz parte. A decisão, que entra em vigor a partir de 1º de maio de 2026, foi comunicada pela agência de notícias estatal emiradense, refletindo uma “visão estratégica e econômica de longo prazo” e a “evolução de seu perfil energético”, com foco na aceleração de investimentos na produção nacional.

Em comunicado, a agência Wam destacou que os Emirados, membros do cartel desde 1967, “aportaram contribuições importantes e consentiram em sacrifícios ainda maiores no interesse de todos”. Contudo, o país considera que “chegou o momento de concentrarmos nossos esforços no que manda nosso interesse nacional”. A saída de um dos principais produtores do grupo, embora cause surpresa, não é um precedente isolado, seguindo movimentos anteriores de nações como Catar (2019), Equador e Angola.

A decisão de Abu Dhabi, apesar de surpreendente, reflete divergências internas que o país vinha manifestando nos últimos anos dentro do grupo, com a intenção de produzir mais e a percepção de que, mesmo recebendo tratamento preferencial para aumentar suas cotas, estas ainda limitavam seu potencial. Este cenário é agravado pelo atual conflito regional, onde os Emirados Árabes Unidos têm sido alvo de ataques do Irã, em retaliação à ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, iniciada em 28 de fevereiro de 2026. A escalada levou ao fechamento praticamente total do Estreito de Ormuz, por onde transitam 20% dos hidrocarbonetos consumidos globalmente, provocando uma disparada nos preços do petróleo.

Uma fonte próxima ao Ministério de Energia, ouvida pela AFP, explicou a motivação por trás da medida: “Levando em conta a situação atual no Estreito [de Ormuz], os Emirados Árabes Unidos não desejam ser submetidos a cotas quando a situação voltar à normalidade”. A Opep, fundada em 1960 e que atualmente reúne 12 membros, formou em 2016 uma aliança com outros 10 países, incluindo a Rússia, sob o acordo Opep+, com o objetivo de limitar a oferta e apoiar os preços diante dos desafios trazidos pela concorrência dos Estados Unidos. A saída dos EAU representa um novo desafio para a coesão e a capacidade de influência do bloco no mercado global de energia.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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