Putin anuncia “fim próximo” da guerra na Ucrânia e ataca Ocidente em desfile contido
Líder russo condiciona encontro com Zelensky e celebra Dia da Vitória sob temor de ataques, enquanto trégua é mutuamente acusada de violação.
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O presidente russo, Vladimir Putin, declarou ontem, 9 de maio, que o conflito na Ucrânia “está se aproximando do fim”, ao mesmo tempo em que proferiu duras críticas aos países ocidentais pelo apoio a Kiev. As declarações foram feitas durante as celebrações do Dia da Vitória em Moscou, marcadas por uma breve e controversa trégua, cujo cumprimento foi mutuamente questionado por ambas as partes.
Em seu discurso, proferido na Praça Vermelha, Putin acusou o Ocidente de intensificar o confronto com a Rússia e de ter subestimado a resiliência russa. “Passaram meses esperando que a Rússia sofresse uma derrota esmagadora, que seu Estado desmoronasse. Isso não aconteceu. E então ficaram presos nessa dinâmica e agora não conseguem sair dela”, afirmou o líder russo, dirigindo-se especificamente ao papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Apesar da retórica belicosa, Putin reiterou sua disposição em se reunir com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em um terceiro país. Contudo, impôs a condição de que todas as premissas para um potencial acordo de paz sejam previamente estabelecidas, definindo o encontro como um “ponto final” e não o início das negociações.
A tradicional parada militar na Praça Vermelha, que celebra a vitória soviética sobre a Alemanha nazista, teve duração reduzida para apenas 45 minutos e, notavelmente, não exibiu armamentos pesados, em um sinal das contínuas preocupações com a segurança e o temor de ataques ucranianos. Diferente da grandiosidade de 2025, que contou com a presença de cerca de 20 líderes internacionais, incluindo China e Brasil, a edição deste ano teve a participação restrita a poucos dirigentes aliados, como os de Belarus, Cazaquistão, Malásia e Eslováquia.
A celebração ocorreu sob o benefício de uma trégua de três dias, anunciada na véspera pelo presidente americano, Donald Trump. No entanto, a validade do cessar-fogo foi imediatamente posta em xeque, com Kiev e Moscou trocando acusações de violação. O Estado-Maior ucraniano reportou 51 ataques russos, enquanto o Ministério da Defesa russo alegou que “grupos armados ucranianos lançaram ataques com drones e artilharia contra as posições de nossas tropas”. Putin também negou ter recebido propostas da Ucrânia sobre uma troca de prisioneiros, como havia sido antecipado por Trump.
Após mais de quatro anos de conflito, a Rússia mantém o controle de aproximadamente 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014. As imagens televisivas russas das comemorações mostraram a participação de soldados da Coreia do Norte, país que, em 2025, auxiliou Moscou a repelir tropas ucranianas da região russa de Kursk.
O desfile, que se iniciou às 10h00 locais (04h00 de Brasília) e encerrou às 10h45, foi realizado sob rigorosas medidas de segurança. Jornalistas da AFP em Moscou constataram o corte do acesso à internet móvel no centro da capital e ruas visivelmente esvaziadas, evidenciando o clima de apreensão.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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