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INTERNACIONAL

Trump em Pequim: Otimismo e Fricções Marcam Cúpula de Alto Risco com Xi Jinping

Em meio a uma guerra prolongada com o Irã e acirradas disputas comerciais, presidente americano busca acordos, mas enfrenta profunda competição geopolítica e tecnológica com a China.

13/05/2026 às 07:36
3 min de leitura
O presidente dos EUA, Donald Trump, caminha para falar com a imprensa antes de embarcar no helicóptero Marine One, ao partir do gramado sul da Casa Branca, em Washington, DC, em 12 de maio de 2026. O presidente Trump disse na segunda-feira que estava pronto para discutir a venda de armas dos EUA para Taiwan durante sua visita esta semana a Pequim, sugerindo que sua afinidade pessoal com o homólogo Xi Jinping impediria uma invasão chinesa da ilha. Trump levará consigo altos executivos dos EUA para uma viagem que deverá se concentrar fortemente nas esperanças do presidente americano de aumentar o comércio.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarcou nesta quarta-feira (13) em Pequim para um aguardado encontro com seu homólogo chinês, Xi Jinping. A visita, que se estenderá até sexta-feira, é marcada pela expectativa de avanços em áreas-chave, mas também por profundas tensões geopolíticas que incluem a questão de Taiwan, o conflito no Oriente Médio e a feroz competição econômica e tecnológica entre as duas maiores potências globais.

A guerra prolongada contra o Irã, um aliado da China, surge como um pano de fundo complexo para a recepção de estado que Xi Jinping prepara. Apesar de expressar na terça-feira que teria “uma longa conversa” sobre o tema, Trump rapidamente recuou, afirmando que o Irã não estaria entre os principais tópicos de discussão. O presidente americano, envolvido em um conflito mais intrincado do que o previsto com a República Islâmica, tem reiterado que não necessita de auxílio chinês para lidar com a situação.

Horas antes da chegada de Trump, o governo chinês emitiu um comunicado oficial de boas-vindas. “A China dá as boas-vindas ao presidente Trump em sua visita de Estado”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, reiterando a disposição de Pequim em “ampliar a cooperação e administrar as diferenças”. O otimismo reverberou nas declarações de Trump, que descreveu Xi como “alguém com quem nos damos bem” e previu que “coisas boas vão acontecer”, inclusive elogiando a postura chinesa diante do bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos.

Contudo, por trás da fachada de cordialidade, a visita ocorre em um cenário de intensa rivalidade militar, diplomática, tecnológica e econômica. Melanie Hart, especialista em China do Atlantic Council, resumiu a dinâmica: “A cúpula parecerá cordial na superfície, mas, no plano tático, será uma partida de rúgbi em que cada parte vai querer levar vantagem”. Questões como a venda de armas dos EUA a Taiwan, o controle chinês sobre as exportações de terras raras e as persistentes tarifas alfandegárias são focos constantes de atrito.

As relações econômicas bilaterais permanecem tensas, mesmo após a trégua comercial de um ano firmada em outubro de 2025 na Coreia do Sul. Coincidindo com a chegada de Trump, a imprensa estatal chinesa informou hoje que uma nova rodada de negociações comerciais entre as duas potências já teve início oficialmente na Coreia do Sul, sem detalhar o andamento. Com um superávit comercial significativo a favor da China, Trump busca assegurar grandes contratos e promessas de investimento, acompanhado por uma robusta delegação de executivos americanos, incluindo nomes como Elon Musk (Tesla) e Tim Cook (Apple). Esta é a primeira visita de um presidente dos EUA à China desde 2017, quando Trump realizou sua primeira viagem oficial ao país durante seu mandato inicial.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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