Trump em Pequim: Otimismo e Fricções Marcam Cúpula de Alto Risco com Xi Jinping
Em meio a uma guerra prolongada com o Irã e acirradas disputas comerciais, presidente americano busca acordos, mas enfrenta profunda competição geopolítica e tecnológica com a China.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarcou nesta quarta-feira (13) em Pequim para um aguardado encontro com seu homólogo chinês, Xi Jinping. A visita, que se estenderá até sexta-feira, é marcada pela expectativa de avanços em áreas-chave, mas também por profundas tensões geopolíticas que incluem a questão de Taiwan, o conflito no Oriente Médio e a feroz competição econômica e tecnológica entre as duas maiores potências globais.
A guerra prolongada contra o Irã, um aliado da China, surge como um pano de fundo complexo para a recepção de estado que Xi Jinping prepara. Apesar de expressar na terça-feira que teria “uma longa conversa” sobre o tema, Trump rapidamente recuou, afirmando que o Irã não estaria entre os principais tópicos de discussão. O presidente americano, envolvido em um conflito mais intrincado do que o previsto com a República Islâmica, tem reiterado que não necessita de auxílio chinês para lidar com a situação.
Horas antes da chegada de Trump, o governo chinês emitiu um comunicado oficial de boas-vindas. “A China dá as boas-vindas ao presidente Trump em sua visita de Estado”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, reiterando a disposição de Pequim em “ampliar a cooperação e administrar as diferenças”. O otimismo reverberou nas declarações de Trump, que descreveu Xi como “alguém com quem nos damos bem” e previu que “coisas boas vão acontecer”, inclusive elogiando a postura chinesa diante do bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos.
Contudo, por trás da fachada de cordialidade, a visita ocorre em um cenário de intensa rivalidade militar, diplomática, tecnológica e econômica. Melanie Hart, especialista em China do Atlantic Council, resumiu a dinâmica: “A cúpula parecerá cordial na superfície, mas, no plano tático, será uma partida de rúgbi em que cada parte vai querer levar vantagem”. Questões como a venda de armas dos EUA a Taiwan, o controle chinês sobre as exportações de terras raras e as persistentes tarifas alfandegárias são focos constantes de atrito.
As relações econômicas bilaterais permanecem tensas, mesmo após a trégua comercial de um ano firmada em outubro de 2025 na Coreia do Sul. Coincidindo com a chegada de Trump, a imprensa estatal chinesa informou hoje que uma nova rodada de negociações comerciais entre as duas potências já teve início oficialmente na Coreia do Sul, sem detalhar o andamento. Com um superávit comercial significativo a favor da China, Trump busca assegurar grandes contratos e promessas de investimento, acompanhado por uma robusta delegação de executivos americanos, incluindo nomes como Elon Musk (Tesla) e Tim Cook (Apple). Esta é a primeira visita de um presidente dos EUA à China desde 2017, quando Trump realizou sua primeira viagem oficial ao país durante seu mandato inicial.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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