Lula Aposta em Relação Pessoal com Trump para Proteger Brasil de Sanções e Atrair Investimentos
Após encontro na Casa Branca, presidente Lula revela ao Washington Post estratégia para garantir respeito, investimentos e evitar tarifas dos EUA, destacando papel do Brasil no cenário global.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou, em entrevista exclusiva ao jornal norte-americano *Washington Post* nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, que sua relação pessoal com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, é a chave para blindar o Brasil de futuras sanções e tarifas, assegurar o respeito à democracia nacional e impulsionar novos investimentos. A declaração surge como a primeira manifestação pública do presidente petista sobre seu recente encontro com o republicano, ocorrido em 7 de maio na Casa Branca.
Com um tom otimista, Lula expressou sua confiança na abordagem diplomática: “Se eu consegui fazer Trump rir, posso alcançar outras coisas também”, afirmou. O presidente brasileiro relembrou que a falta de respeito marcou a deterioração das relações bilaterais em 2025, resultando na imposição de tarifas e sanções contra o Brasil. Ele ressaltou a disposição do Palácio do Planalto para o diálogo, desde que baseado na igualdade, advertindo que “quem abaixa a cabeça talvez não consiga erguê-la novamente”.
Ao *Washington Post*, Lula rechaçou a ideia de ter tentado criar atrito entre Trump e o ex-presidente Jair Bolsonaro, declarando que não precisa de esforços para que o líder americano perceba sua superioridade. “Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso”, disse. Sobre a possibilidade de Washington classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, o presidente brasileiro afastou a ideia, argumentando que a medida, por si só, não resolveria o problema do tráfico de drogas.
No cenário internacional, Lula destacou que Trump está ciente de suas posições contrárias à guerra no Irã e à intervenção na Venezuela, bem como sua preocupação com a situação na Palestina. “Minhas divergências políticas com [o republicano] não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que quero é que trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, pontuou. Ele também reiterou a afirmação de Trump de que os Estados Unidos não invadirão Cuba.
Apesar das recentes tentativas de mediação de paz por Brasília na Venezuela e na Ucrânia, e das negociações entre EUA e Cuba não terem alcançado os resultados esperados, Lula reafirmou ao veículo norte-americano seu desejo de posicionar o Brasil como um intermediário crucial em conflitos globais. O presidente expressou profunda preocupação com os rumos da política internacional e a erosão da cooperação multilateral, esperando convencer Trump de que os EUA podem “desempenhar papel importante no fortalecimento da paz, da democracia e da cooperação multilateral”.
Reconhecendo a dificuldade da tarefa, Lula concluiu que, se não acreditasse na “persuasão”, “não estaria na política”, sinalizando sua persistência em buscar soluções diplomáticas e fortalecer a posição do Brasil no xadrez geopolítico.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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