EUA designam PCC e CV como terroristas; Classificação provoca racha e alerta no governo brasileiro
Enquanto a oposição celebra a medida, o governo expressa preocupação com impactos financeiros e riscos à soberania nacional, levantando debate sobre atuação externa.
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O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na última quinta-feira, 28 de maio, a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês). A medida, que impõe sanções financeiras e restrições a indivíduos e entidades ligadas às facções, provocou reações polarizadas no Brasil, com a oposição celebrando a iniciativa e o governo emitindo alertas sobre suas potenciais consequências.
Em nota oficial, Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, reforçou a necessidade de combate ao crime organizado e saudou a cooperação internacional em áreas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Contudo, o diplomata fez uma ressalva contundente, classificando como “inaceitável” que a questão sirva de “pretexto para intervenção” externa no país.
A crítica mais veemente veio do líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), que atribuiu a classificação estadunidense a uma “articulação da extrema-direita”. Segundo Uczai, a iniciativa foi orquestrada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, e pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que teriam buscado nos EUA o que “perderam no Congresso Nacional”.
O deputado não poupou críticas à família Bolsonaro, acusando-os de “prestar mais um desserviço ao Brasil” ao “avançar agora sobre a segurança pública nacional, usando o crime organizado como pretexto para entregar o país ao comando de Trump”, em referência ao ex-presidente americano.
Além das implicações políticas, Uczai alertou para as “consequências financeiras desastrosas” que a medida pode acarretar à economia brasileira. Ele detalhou riscos como fuga de investimentos, sanções, bloqueio de ativos, perda de correspondentes bancários e restrições de crédito para empresas e instituições financeiras que, mesmo indiretamente, possam ser associadas a movimentações ligadas às facções.
Para o líder petista, a classificação norte-americana também “ameaça milhões de pessoas” que vivem em áreas dominadas pelo crime organizado, “pode prejudicar a cooperação penal internacional” e, mais grave, “abrir espaço para pretensões de atuação extraterritorial, medidas coercitivas e até ação armada contra o Brasil”.
Em meio à controvérsia, Uczai defendeu que o combate ao crime organizado deve ser feito com “firmeza”, citando o Projeto de Lei nº 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como instrumentos nacionais para enfrentar o problema. Corroborando as preocupações, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também se manifestou via X (antigo Twitter), reforçando que a classificação trará “consequências” severas ao país.
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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