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POLÍTICA

Ministro André Mendonça autoriza PF a investigar aporte de banqueiro em filme sobre Bolsonaro

Repasse de US$ 12,3 milhões para "Dark Horse" levanta suspeitas de lavagem de dinheiro, aponta PGR. Flávio e Eduardo Bolsonaro estão entre os investigados.

24/07/2026 às 06:16
3 min de leitura
Dark Horse

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Nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a instaurar inquérito para investigar um repasse financeiro da empresa Entre Investimentos, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ao fundo Havengate Development Fundo LP. Este fundo administra os recursos do filme “Dark Horse”, que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou a suspeita do aporte em parecer enviado ao ministro.

Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), documento emitido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), identificou o aporte de US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 68,7 milhões à época). O Coaf utiliza o RIF para relatar transações atípicas ou suspeitas. As informações foram divulgadas pela revista Piauí.

O parecer da PGR, com nove páginas, não especifica se o repasse ocorreu em uma única transferência nem a data exata. O documento enviado ao STF mencionou a previsão de um financiamento total de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época), mas não confirmou o envio de todo o valor.

Investigados e Hipóteses

Com a decisão do ministro Mendonça, seis nomes passam a ser formalmente investigados, além de Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que já são investigados em outras ações relacionadas ao Banco Master:

  • Senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
  • Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro;
  • Deputado Federal Mario Frias (PL-SP);
  • Empresário e publicitário Thiago Miranda;
  • Corretor Altieris Santana;
  • Advogado Paulo Calixto.

O despacho de Mendonça, segundo a Piauí, é sucinto e não analisa as provas. O documento afirma que a suspeita de lavagem de dinheiro, detectada pelo Coaf, pode estar ligada à possibilidade de uso do projeto cinematográfico para legitimar o envio e a utilização de recursos no exterior.

Para apurar a hipótese, a Polícia Federal analisará a declaração dos repasses, os contratos que justificam os aportes, os destinatários finais e a finalidade comunicada às instituições financeiras. A corporação aprofundará a investigação sobre uma possível participação de Eduardo Bolsonaro na gestão dos recursos.

O parecer da PGR, ao qual a Piauí teve acesso, menciona a existência de uma captura de tela de uma conversa entre o ex-deputado federal e Thiago Miranda. Com base nessa conversa, a PF e a Procuradoria trabalham com a hipótese de que Eduardo teria orientado Altieres e Thiago Miranda sobre a gestão dos repasses de Vorcaro.

A investigação também buscará determinar quem decidia o emprego dos recursos e seus beneficiários. Uma das suspeitas é que os valores transferidos pelo banqueiro teriam custeado as despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde reside há mais de um ano.

Até o momento, a documentação examinada pela PGR não identificou nenhuma vantagem oferecida ao grupo de Vorcaro em troca do financiamento, segundo a revista Piauí. Para esclarecer essa questão, a Procuradoria solicitou um levantamento de proposições legislativas de Flávio Bolsonaro e Mario Frias que possam ter atendido a interesses do Banco Master.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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