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INTERNACIONAL

Havana em Alerta: Entre o Fantasma da Guerra e a Crise do Dia a Dia

Enquanto a retórica entre Cuba e EUA se acirra, a população da capital cubana equilibra o temor de um conflito com o ceticismo histórico e a urgência da sobrevivência diária.

20/05/2026 às 02:46
3 min de leitura
Cuba

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Em 20 de maio de 2026, a vida em Havana Velha, embalada por jogos de dominó e ritmos de reggaeton, desenrola-se sob a sombra crescente das tensões entre Cuba e os Estados Unidos. A escalada retórica entre as duas nações reacende o temor de um conflito militar, mas para muitos cubanos, a prioridade imediata reside na árdua batalha pela sobrevivência diária em meio à pior crise econômica e energética que a ilha comunista enfrenta em décadas.

Arminda de la Cruz, uma guarda de segurança de 56 anos, sintetiza essa realidade. Em sua casa, onde sete pessoas, incluindo três crianças, dependem dela, a geladeira quase vazia reflete a escassez crônica de alimentos e água, somada aos constantes apagões. “Tentamos não pensar nisso (na guerra), porque temos muitos problemas”, desabafa Arminda, revelando uma estratégia de resiliência que inclui buscar refúgio na música para “não enlouquecer” diante das adversidades cotidianas.

Apesar da resiliência individual, a gravidade da situação política é inegável. Na última segunda-feira, o governo cubano reafirmou seu direito à autodefesa, alertando que qualquer agressão por parte de Washington resultaria em um “banho de sangue”. Contudo, para Arminda, a solução ideal transcende a retórica belicista: “Para mim, o melhor seria que os dois governos chegassem a um acordo”, expressa, ecoando o anseio por estabilidade e paz.

Nas ruas da capital, a mistura de preocupação e ceticismo é palpável. Muitos habitantes de Havana, embora cientes do aumento da tensão política, não veem a guerra como uma possibilidade iminente. Olaida Pozo, uma dona de casa de 52 anos, compartilha essa visão, lembrando-se de décadas de “a mesma ameaça” dos Estados Unidos, que nunca se concretizou em um conflito armado. “É sempre a mesma ameaça… e até agora, esse tipo de bombardeio ou guerra nunca aconteceu”, comenta Pozo, sentada à entrada de seu prédio no centro histórico.

Alexis Pérez, um operário da construção de 28 anos, concorda que “uma guerra nunca será boa”. Embora tenha estocado “alguns suprimentos” seguindo as recomendações da Defesa Civil, ele não acredita em um desfecho “tão dramático”. Para Pérez, a verdadeira urgência reside em uma “mudança” interna em Cuba, lamentando que a migração seja vista como a única saída por muitos jovens diante da falta de soluções para seus problemas na ilha.

Outros, como Osvaldo Mendoza, operário da construção de 61 anos, rejeitam categoricamente a ideia de uma intervenção militar. “A solução não seria uma invasão”, afirma Mendoza, argumentando que “o que precisamos é que o país se desenvolva economicamente para que possamos ter um padrão de vida melhor”. Ele conclui, com um toque de pragmatismo: “Os americanos não são loucos”, sugerindo que a verdadeira transformação deve vir de dentro.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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