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INTERNACIONAL

EUA Indiciam Raúl Castro por Queda de Aviões de 1996 em Ação Histórica

Acusação contra o ex-presidente cubano, de 94 anos, marca a primeira vez que uma alta autoridade do regime comunista é formalmente processada na justiça americana, intensificando a pressão de Washington sobre Havana.

21/05/2026 às 17:47
3 min de leitura
Raul Castro

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Os Estados Unidos indiciaram, na última quarta-feira, 20 de maio, o ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, por seu suposto papel na derrubada de dois aviões em 1996. A medida representa a primeira vez que uma alta autoridade do regime comunista é formalmente acusada na justiça americana, marcando uma escalada sem precedentes nas tensões entre os dois países. Castro é acusado de assassinar quatro pessoas, conspirar para matar cidadãos americanos e destruir aeronaves, crimes que teriam ocorrido quando ele era Ministro da Defesa de Cuba. A ação foi imediatamente rechaçada pelo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que classificou o indiciamento como uma “ação política, sem qualquer base jurídica”, visando justificar uma “agressão militar” contra a ilha.

Em coletiva de imprensa em Miami, perante a comunidade de origem cubana, o procurador-geral Todd Blanche declarou que os Estados Unidos “não esquecem seus cidadãos” e manifestou a esperança de que Castro “acabe atrás das grades”. O caso remete a 24 de fevereiro de 1996, quando dois caças MiG cubanos interceptaram e derrubaram, no estreito da Flórida, duas aeronaves desarmadas da organização “Hermanos al Rescate”. O grupo era conhecido por auxiliar cubanos a chegar à Flórida em embarcações precárias. Os aviões caíram em águas internacionais, resultando na morte dos seus quatro tripulantes.

Na época e reiterado agora por Díaz-Canel em sua conta no X, Cuba alegou ter agido em “legítima defesa, dentro de suas águas jurisdicionais”. Contudo, o episódio tem sido persistentemente perseguido por décadas pela influente comunidade cubano-americana na Flórida, um dos bastiões eleitorais do presidente Donald Trump. As acusações contra Castro intensificam a já forte pressão exercida por Washington sobre a ilha comunista, que enfrenta um embargo desde 1962 e atualmente sofre com uma severa crise econômica e energética.

O presidente Trump tem alternado ameaças com ofertas de diálogo em relação a Cuba, um padrão já visto em sua política para a Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro foi derrubado e levado do país para julgamento. “Não haverá uma escalada, não é preciso. Está caindo aos pedaços. Realmente perderam o controle de Cuba”, afirmou Trump a jornalistas. Em 29 de janeiro deste ano, Trump assinou um decreto ameaçando impor tarifas a países que vendessem petróleo a Cuba, o que, na prática, deixou a ilha sem combustível e com Havana admitindo a falta de reservas para as necessidades cotidianas. Em um gesto que mistura pressão e aparente auxílio, os Estados Unidos agora oferecem 100 milhões de dólares (aproximadamente 504 milhões de reais) em alimentos e medicamentos, a serem distribuídos diretamente ao povo cubano pela Igreja Católica ou por grupos de caridade.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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