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INTERNACIONAL

Bolívia à Beira do Colapso: Seis Meses de Governo Paz Aprofundam Crise Social e Política

Com La Paz sitiada por bloqueios e escassez, a administração de centro-direita acusa Evo Morales de orquestrar a desestabilização, enquanto Washington alerta para uma tentativa de golpe.

22/05/2026 às 10:46
3 min de leitura
protesto Bolívia

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Hoje, 22 de maio de 2026, a Bolívia enfrenta uma das mais profundas convulsões sociais e econômicas de sua história recente, um cenário que desafia a recém-empossada administração de centro-direita do presidente Rodrigo Paz. Apenas seis meses após assumir o poder em novembro de 2025, prometendo estabilidade e um “capitalismo para todos”, Paz se vê confrontado com uma onda crescente de protestos que paralisou a capital, La Paz, e ameaça a governabilidade do país.

Desde o início de maio, bloqueios de estradas estrangularam La Paz, resultando em severa escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis – um reflexo da exaustão econômica que assola a nação há quatro décadas. Em meio à escalada da crise, o presidente Paz adotou um tom firme na última quarta-feira, advertindo que não negociará com “vândalos”, mas, em um aceno para desarmar os ânimos, prometeu nomear ministros com “capacidade de escuta”.

A complexidade da crise é acentuada por uma intensa disputa política. O governo Paz, que encerrou duas décadas de gestões socialistas, acusa abertamente o ex-presidente Evo Morales (2006-2019) de orquestrar os protestos com o objetivo de retornar ao poder. Morales, foragido desde 2024 por um caso de suposta exploração de menor e refugiado na região cocalera do Chapare, por sua vez, denuncia um suposto plano de Washington para prendê-lo ou até mesmo matá-lo, com o aval da administração Paz. A chegada de uma marcha de seus seguidores a La Paz na última segunda-feira sublinha a polarização.

A retórica internacional ecoa essa tensão. Sem citar diretamente Morales, os Estados Unidos, que veem em Paz um novo aliado na América Latina, classificaram a situação na Bolívia como uma tentativa de “golpe de Estado”. Washington declarou que não permitirá que “criminosos e narcotraficantes” derrubem um líder democraticamente eleito, sinalizando um claro apoio à permanência de Paz no cargo.

Analistas apontam uma combinação de fatores econômicos e sociais como o cerne da convulsão. A Bolívia esgotou suas reservas de dólares, comprometendo a sustentação de subsídios aos combustíveis. Uma das primeiras medidas de Paz, logo após assumir em novembro de 2025, foi eliminar esses subsídios, o que dobrou o preço da gasolina. Para agravar a situação, a comercialização de combustível contaminado, apelidado de “gasolina lixo”, danificou milhares de veículos, inflamando a ira popular, especialmente entre os transportadores.

Um segundo catalisador foi o anúncio de uma lei que propunha transformar pequenas propriedades rurais em médias, visando facilitar o acesso ao crédito. Contudo, camponeses indígenas rejeitaram veementemente a proposta, temendo a perda de suas terras para bancos e, subsequentemente, para latifundiários. A insatisfação se espalhou em maio, com a adesão de professores, operários e mineiros. Diante de uma inflação de 20% em 2025, a poderosa Central Operária Boliviana (COB) reivindica um reajuste salarial equivalente, enquanto os professores exigem aposentadoria com salário integral. Com a prolongada crise, a demanda pela renúncia do presidente Paz tem ganhado força, enquanto o governo denuncia tentativas de alterar a “ordem democrática”.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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