Financiamento de Filme “Dark Horse” Pressiona Flávio Bolsonaro e Candidatura de 2026
Senador promete prestação de contas após revelações do The Intercept Brasil; ala do PL vê situação como decisiva para apoio à corrida presidencial de 2026.
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta pressão significativa dentro de seu partido após revelações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. A promessa de prestação de contas do valor investido na produção cinematográfica tornou-se um fator decisivo para uma ala do Partido Liberal (PL) avaliar seu apoio à pré-candidatura do parlamentar à Presidência da República nas eleições de 2026, conforme apurações do Estadão/Broadcast.
Reunião e Pedido de Contas
Após uma reunião com a bancada do PL na terça-feira, 19 de maio de 2026, Flávio Bolsonaro declarou à imprensa que solicitou à sua equipe jurídica a apresentação das contas do investimento no filme em até 30 dias. Esta medida responde às reportagens do site The Intercept Brasil, que expuseram a negociação entre o senador e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A transação envolveria R$ 134 milhões para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
As investigações do The Intercept Brasil indicam que um contrato estaria vinculado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro e que o fundo receptor dos recursos é controlado por aliados dele. Governistas utilizaram essas informações para levantar suspeitas de que parte do dinheiro poderia ser de origem pública e ter sido desviada para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Pedidos de investigação sobre possíveis irregularidades, como lavagem de dinheiro, tráfico de influência e evasão de divisas, surgiram. Flávio Bolsonaro, contudo, nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos do fundo não custearam a permanência de seu irmão em território americano.
Repercussão Interna no PL e Cenário Político
Parlamentares do PL expressam críticas internas, avaliando que Flávio Bolsonaro “errou feio”. Eles sugerem que o senador deveria ter antecipado aos aliados seu envolvimento com Vorcaro, permitindo a construção de uma defesa. Há também a percepção de que Flávio deveria ter admitido a relação com o banqueiro quando questionado sobre o filme, horas antes da revelação do The Intercept.
Ainda segundo análises internas, o senador teria subestimado a gravidade de seus contatos com o dono do Banco Master. A visão é que ele não considerava a possibilidade de ser pré-candidato à Presidência de 2026 e avaliava que o empresário possuía amplas conexões. Essa perspectiva sugere que Flávio menosprezou a exposição de sua relação com Vorcaro e cometeu um erro ao insistir em ocultar detalhes.
Por outro lado, o senador conta com a crença de parte de seus apoiadores de que não agiu com más intenções e que a busca por patrocínio para o filme “fez sentido”. A defesa da instauração de uma comissão de inquérito no Congresso Nacional também contribui para seu lado. Há uma avaliação de que o impacto nas pesquisas, como a AtlasIntel, foi menor do que o esperado. O forte sentimento “anti-Lula”, a “bênção” do pai e o sobrenome Bolsonaro são vistos como elementos que mantêm Flávio como o candidato mais viável para alcançar o segundo turno nas eleições de 2026.
Os impactos das revelações sobre Flávio se dividem em aspectos “criminal” e “moral”. O cenário “criminal”, que envolveria a comprovação de infrações em parceria com o banqueiro, representaria a maior dificuldade para o apoio político. Já a contradição “moral”, referente ao pedido de dinheiro a Vorcaro, é considerada um desafio mais contornável. A situação também afeta parlamentares de outros partidos com base eleitoral conservadora, que comparam o sentimento em relação a Flávio à torcida por um time de futebol, onde, apesar das críticas, a lealdade prevalece. O caso do financiamento já levou a movimentações na pré-campanha de Flávio, como o abandono de Marcello Lopes de sua equipe.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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