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Projeto de John Textor no Botafogo Desmorona em Meio a Dívidas e Disputas

Magnata americano enfrenta saída iminente da SAF alvinegra, que acumula R$ 2,7 bilhões em débitos e busca novos investidores em 2026.

24/05/2026 às 16:46
3 min de leitura

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O projeto do empresário americano John Textor para o Botafogo enfrenta um colapso em 2026. A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube carioca, que Textor adquiriu em 2022, acumula uma dívida de R$ 2,7 bilhões, segundo os balanços mais recentes. Disputas judiciais e a busca por novos investidores marcam o cenário, indicando uma provável saída do magnata.

Textor conduziu o Botafogo a um período de glórias em 2024, quando o clube conquistou a Copa Libertadores da América e o Campeonato Brasileiro. A injeção de recursos impulsionou a equipe, mas o desempenho financeiro deteriorou-se rapidamente.

Crise Financeira e Gestão Contestada

A situação financeira do Botafogo é grave. Um tribunal arbitral já afastou Textor do controle operacional do clube devido a questionamentos sobre sua gestão. A jornalista esportiva Fernanda Gondim, que acompanha o caso, afirma que o fluxo de caixa “é crítico”.

Gondim detalha a complexidade da situação: “A própria SAF [Sociedade Anônima do Futebol, órgão de gestão do clube] admitiu dificuldades para arcar com despesas básicas, incluindo o pagamento dos salários referentes ao mês de maio”, para o qual foi necessário recorrer a um empréstimo de cerca de R$ 4,3 milhões, destacou.

Em comunicado oficial na quinta-feira, a SAF alvinegra criticou a condução de Textor. “A condução adotada” por Textor e pela multinacional por meio da qual adquiriu o clube “revelou absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional” e contribui diretamente para “o cenário de extrema fragilidade” da instituição, indicou o texto. As disputas judiciais do empresário americano com antigos sócios agravaram a incerteza no clube.

O Império Desmoronado

John Textor foi afastado da direção do Botafogo no mês passado devido a um litígio com a multinacional Eagle Football Holdings Bidco. Esse holding, que em determinado momento controlou o Botafogo, o Lyon (França) e o Molenbeek (Bélgica), encontra-se sob administração judicial na Inglaterra por dívidas. O Crystal Palace (Inglaterra), que também fazia parte do grupo, foi vendido após a eclosão da crise.

Em uma tentativa de manter-se no Botafogo, Textor anunciou um acordo com o fundo de investimento Ares, principal credor da Eagle Bidco. “Posso informar um acordo com a Ares para encerrar a disputa e trazer capital”, disse Textor em sua conta no Instagram, sem fornecer detalhes adicionais.

A possibilidade de Textor recuperar o controle é vista como improvável. Para Fernanda Gondim, a chance “é muito remota”, pois “a parte social do clube quer seguir com a menor participação possível dele em qualquer decisão”.

Novos Interesses e Cenários Futuros

O Botafogo possui uma proposta da empresa de investimentos americana GDA Luma para se tornar acionista principal. Uma fonte com conhecimento das negociações, que preferiu não ser identificada, confirmou a informação à AFP. A GDA Luma é especializada em ativos de risco e já investiu no Cirque du Soleil após sua declaração de falência.

“Hoje em dia só há dois cenários possíveis: esse da GDA ou de ir para o mercado buscar outra solução, que é menos viável, menos possível”, afirmou a fonte. O clube também enfrenta processos na Justiça brasileira contra a Eagle Bidco e o Lyon, cobrando dívidas. As questões financeiras e legais continuam a pautar o futuro da instituição.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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