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POLÍTICA

PF rejeita delação de Daniel Vorcaro; PGR insiste em acordo com banqueiro

Decisão da Polícia Federal ocorre dias após ministro André Mendonça, do STF, autorizar a transferência do banqueiro para cela comum, sinalizando impasse nas negociações.

24/05/2026 às 08:26
3 min de leitura
Daniel Vorcaro, do Banco Master

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A Polícia Federal (PF) rejeitou na última quarta-feira (20) a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em um novo revés para o banqueiro que busca um acordo de cooperação com a Justiça. Apesar da decisão da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou que mantém as negociações ativas para firmar um termo de colaboração com Vorcaro.

O posicionamento da PF surge dias após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter autorizado, na última segunda-feira (18), a transferência de Vorcaro para uma cela comum na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal. A medida, que também suspendeu o acesso irrestrito de seus advogados, foi amplamente interpretada como um indicativo do esfriamento das negociações de cooperação, uma vez que o banqueiro estava custodiado na mesma Sala de Estado-Maior que o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o processo de formalização da delação.

A defesa do banqueiro já havia enviado uma nova proposta de delação em 6 de maio deste ano, após a PF e a PGR recusarem o material inicial por considerá-lo incompleto e insuficiente para responder às dúvidas dos investigadores. As apurações da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, indicam que o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado, sustentando a prática com riscos excessivos e operações que inflavam artificialmente seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Diante de indícios de irregularidades financeiras e uma grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master e suas subsidiárias. O braço digital da instituição, Will Bank, teve seu encerramento forçado em 21 de janeiro de 2026. Vorcaro foi inicialmente preso um dia antes da deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, solto com tornozeleira eletrônica e detido novamente em 4 de março de 2026.

O caso do Banco Master, ao lado da gestora de investimentos Reag — liquidada em 15 de janeiro de 2026 —, figura entre os mais graves do sistema financeiro brasileiro, envolvendo não apenas fraudes, mas também tensões entre órgãos como STF, TCU, Banco Central e PF. Em 17 de janeiro de 2026, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master e de suas afiliadas, com um valor total em garantias que soma R$ 40,6 bilhões.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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