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POLÍTICA

PF Identifica Pagamento de R$ 14,2 Milhões da Refit a Empresa da Família de Ciro Nogueira

Senador Ciro Nogueira confirma transação e alega venda de terreno; líder da Refit, Ricardo Magro, é considerado foragido pela Polícia Federal.

26/05/2026 às 00:46
3 min de leitura
Ciro Nogueira

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A Polícia Federal (PF) descobriu um pagamento de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao conglomerado Refit para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A Refit atua no setor de combustíveis e é controlada por Ricardo Magro. A PF investiga um esquema de sonegação e corrupção envolvendo o grupo.

Ciro Nogueira, procurado pela reportagem, confirmou o pagamento. Ele afirmou que a transação se refere à venda de um terreno para a construção de uma distribuidora de combustíveis. O senador destacou a regularidade da operação e sua declaração às autoridades. “Em relação ao caso em questão, esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis”, disse Ciro Nogueira em nota.

Investigação da Operação Sem Refino

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu a informação sobre a transação financeira. O STF autorizou, na semana passada, a Operação Sem Refino. Esta operação mirou o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e expediu um mandado de prisão contra Ricardo Magro. Magro está atualmente no exterior e é considerado foragido. Seu nome foi incluído na lista de foragidos da Interpol.

Ricardo Magro lidera o grupo Refit. A Receita Federal o aponta como o maior devedor contumaz de impostos do Brasil. As dívidas do grupo superam R$ 26 bilhões. Magro é investigado por fraudes, sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro, com foco no setor de combustíveis.

Detalhes do Pagamento e Outras Investigações

As investigações aprofundarão o pagamento à empresa de Ciro Nogueira. Um ex-assessor do senador foi alvo de busca e apreensão, mas Nogueira não figurou como alvo da Operação Sem Refino. Contudo, no início de maio de 2026, ele sofreu busca e apreensão. Esta ação ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master.

Segundo a PF, o senador recebeu “vantagens indevidas” em troca de auxílio a Vorcaro em projetos no Congresso. A PF menciona “pagamentos mensais” que variam de R$ 300 mil a R$ 500 mil. A investigação sobre o Banco Master é um dos focos atuais das autoridades, enquanto o cenário político se prepara para as eleições de 2026. O Congresso Nacional também discute temas relacionados, como a CPMI do Banco Master.

Na investigação da Refit, a PF analisou a contabilidade de diversos fundos e empresas ligadas ao conglomerado de Ricardo Magro. Uma dessas empresas, a Athena, proprietária de imóveis suspeitos de serem operados pelo grupo Refit, recebe pagamentos de fundos como o EUV Gladiator. As conexões do fundo chegam a uma holding no exterior que também pertence ao grupo, conforme a PF.

A PF detectou a transferência de R$ 14,2 milhões da Athena, “principal beneficiária” do fundo, para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. A contabilidade não informa o motivo exato do pagamento nem oferece detalhes sobre o negócio. Este ponto será aprofundado em uma fase posterior da investigação.

Ciro Nogueira não figura atualmente entre os sócios da empresa que leva seu nome. Os atuais proprietários são familiares do parlamentar. O senador afirma que detinha apenas 1% de participação na época da negociação, em 2024.

A mesma investigação também encontrou repasses de R$ 1,3 milhão de uma empresa ligada à Refit para Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro. Ele foi ex-secretário executivo da Casa Civil durante a gestão de Ciro Nogueira no governo Bolsonaro. Jonathas Assunção foi alvo de busca e apreensão na operação. A reportagem tenta localizar sua defesa.

A PF destacou o padrão das transferências. “Os valores creditados foram rapidamente transferidos diretamente ao próprio beneficiário final JONATHAS ASSUNÇÃO SALVADOR NERY DE CASTRO, cerca de R$ 1.325.000,00. Tal padrão evidencia baixa permanência dos recursos na conta, típico de empresa de passagem, sem identificação de despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada de consultoria”, afirmou a corporação.

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André Vilela

Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.

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