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POLÍTICA

Marco Histórico: Lula sanciona criação da primeira Universidade Federal Indígena (Unind)

Instituição, com sede inicial em Brasília, visa fortalecer saberes tradicionais e garantir permanência de estudantes, com expansão para todo o país.

05/06/2026 às 01:17
3 min de leitura
Cacique Raoni e presidente Lula

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O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, na última quinta-feira, dia 28 de maio, a criação da primeira Universidade Federal Indígena (Unind). O ato, realizado no Palácio do Planalto, marca a concretização de um projeto ambicioso, fruto de meses de intensa articulação política, debates e aprovação no Congresso Nacional, prometendo um novo horizonte para a educação dos povos originários no Brasil.

Durante a cerimônia, Lula defendeu a iniciativa como um investimento estratégico. “Fica mais barato a gente gastar um pouco para investir na educação do que a gente achar que custa muito não fazer”, afirmou o presidente, traçando um paralelo com os custos do sistema prisional. Ele enfatizou que a ausência de oportunidades educacionais para os jovens pode ter um custo social muito maior no futuro.

A preocupação com a permanência estudantil foi um ponto central na fala do presidente, que prometeu infraestrutura completa. “Temos que levar em conta que uma universidade indígena terá que levar muito em questão a moradia e o refeitório dos estudantes”, disse Lula, lembrando que dificuldades financeiras são um dos principais motivos de abandono em programas como o Prouni.

Concebida como uma iniciativa conjunta do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Unind destina-se à formação de indígenas em graduação e pós-graduação. Seu modelo pedagógico inovador busca integrar e valorizar identidades e saberes tradicionais, estabelecendo um diálogo enriquecedor com o conhecimento acadêmico convencional.

A deputada federal Sonia Guajajara ressaltou a importância da Unind para a permanência e conclusão dos estudos superiores por indígenas. “Muitos indígenas chegam às universidades, mas nem sempre conseguem concluir o curso”, afirmou a deputada, enfatizando que a nova instituição, além de ampliar o acesso para além das cotas e bolsas existentes, “vai também absorver, receber estudantes não indígenas para que haja de fato essa troca” de saberes.

A Unind terá sua primeira sede em Brasília, no antigo campus da universidade dos Correios, com aulas previstas para iniciar ainda neste mês de junho. A meta é atender cerca de 2.800 alunos em até quatro anos de operação, contando com 366 docentes e uma gestão majoritariamente indígena na reitoria e administração. Inicialmente, serão oferecidos 10 cursos de graduação, com foco em formação de professores, educação escolar indígena, saúde coletiva/indígena e gestão territorial e ambiental.

Em um anúncio prévio, feito em novembro de 2025 durante visita à Aldeia Vista Alegre de Capixauã, em Santarém (PA), o Presidente Lula já havia adiantado que, apesar da sede inicial em Brasília, o plano é expandir a Unind por meio de extensões em todos os estados, atendendo às necessidades locais. “Para a meninada fazer o curso próximo de onde mora e não precisar ir para Brasília”, justificou o presidente na ocasião, reforçando o compromisso com a descentralização e a acessibilidade.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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