Lideranças Indígenas de MS Integram Governança do Corredor Bioceânico
Encontro "Vozes da Rota" define participação de seis etnias em comissão permanente e avança em diálogo sobre impactos do projeto em 2026.
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Representação Indígena na Rota Bioceânica
Lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul integrarão a estrutura de governança do Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio. O encontro “Vozes da Rota”, realizado recentemente, reuniu cerca de 60 representantes de seis etnias. Eles debateram o projeto e estabeleceram uma comissão permanente para assegurar a participação dos povos originários. Esta iniciativa marca um passo pioneiro na inclusão direta dessas comunidades no desenvolvimento do corredor.
O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), organizou o evento. Seus objetivos principais incluíram apresentar o andamento das ações relacionadas à Rota Bioceânica e ampliar o diálogo com as comunidades indígenas potencialmente impactadas. Participaram líderes e representantes das etnias Terena, Kadiwéu, Atikum, Guarani, Guarani Kaiowá e Kinikinau. Devanilson Paz, subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários da Secretaria de Cidadania (SEC), também esteve presente.
Definição de Representantes e Avanço das Obras
Os participantes definiram 29 de junho como prazo para cada povo indicar seus representantes. Estes integrarão uma comissão permanente na estrutura de governança dos povos originários, vinculada ao Corredor de Capricórnio. As autoridades consideram esta ação uma iniciativa inédita entre os governos subnacionais envolvidos na Rota Bioceânica.
Danniele Paiva, assessora especial de Integração do Corredor Bioceânico Capricórnio da Semadesc, atualizou os presentes sobre o status das obras. Ela destacou o estágio avançado da ponte binacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, que já supera 90% de execução. Paiva também detalhou os mecanismos de governança que unem Brasil, Paraguai, Argentina e Chile na construção do corredor de integração sul-americana.
Protagonismo Indígena no Diálogo
Karla Nadai, secretária-executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais da Semadesc, afirmou que o principal resultado do encontro foi garantir espaço para que os próprios indígenas apresentassem suas percepções.
“Nós queríamos apresentar o que está sendo construído em relação ao Corredor Bioceânico, mas principalmente ouvir os povos originários. E o que vimos foi um protagonismo muito forte das lideranças indígenas. O Estado falou pouco e ouviu muito. Foi uma oportunidade para que eles apresentassem suas expectativas, preocupações e sugestões sobre temas que impactam diretamente suas comunidades”, afirmou Nadai.
Nadai ressaltou que a reunião superou as expectativas, ao reunir lideranças dispostas a participar ativamente das discussões. “O ponto mais positivo foi ver o indígena falando sobre as questões indígenas. Não é um não indígena interpretando suas demandas, mas os próprios povos apresentando suas visões, necessidades e contribuições. Eles não vieram apenas para ouvir o que o Estado ou a União têm a oferecer, mas para propor caminhos e participar da construção das soluções”, completou.
A secretária explicou que o encontro representa o primeiro passo para a consolidação de um fórum permanente de diálogo. Este fórum terá continuidade nos próximos anos. O formato de representação das diferentes etnias na comissão que acompanhará as pautas relacionadas ao corredor foi uma das definições construídas coletivamente.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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