Terça-feira, 30 de Junho de 2026
Menu
POLÍTICA

Ascensão da Direita na América do Sul Isola Brasil, mas Governo Aposta em Pragmatismo

Vitórias de Keiko Fujimori no Peru e Abelardo De La Espriella na Colômbia consolidam quadro regional, desafiando a diplomacia brasileira a focar em agendas não ideológicas.

30/06/2026 às 10:17
3 min de leitura
Lula

Anuncie Aqui

Com as recentes vitórias de Keiko Fujimori no Peru e Abelardo De La Espriella na Colômbia, somadas às eleições de representantes de direita no Chile, Equador e Bolívia no último ano, o Brasil se vê cada vez mais isolado no cenário político sul-americano. Ao lado do Uruguai, o país figura como um dos últimos bastiões do campo progressista na região, um quadro que desafia a diplomacia brasileira a redefinir suas estratégias para o continente.

Diante desse panorama, o governo brasileiro tem apostado em uma abordagem pragmática para suas relações bilaterais com os vizinhos, buscando agendas imunes a divergências ideológicas. A prioridade recai sobre temas como infraestrutura, energia, combate ao crime organizado e cooperação no enfrentamento a desastres naturais, visando manter pontes abertas e interesses mútuos, independentemente do espectro político dos governos parceiros.

Apesar do alinhamento político majoritariamente à direita ou extrema-direita na região, a avaliação do Palácio do Planalto é que os interesses nacionais de cada país devem prevalecer, com a Argentina de Javier Milei sendo a única exceção notável pela sua postura mais hostil ao Brasil. Em contraste, exemplos recentes indicam a viabilidade dessa estratégia: o presidente chileno José António Kast solicitou uma reunião bilateral com Lula na Cúpula do Mercosul desta semana, e o presidente eleito da Colômbia, Abelardo De La Espriella, respondeu cordialmente às felicitações de Lula por sua vitória, assim como o pedido de ajuda de Rodrigo Paz ao Brasil em meio aos protestos na Bolívia.

Parcerias em infraestrutura, como projetos que visam conectar o Pacífico ao Atlântico, e na área de energia, intensificadas após a guerra no Irã expor vulnerabilidades globais, são consideradas cruciais e devem ser aprofundadas. Contudo, o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Goulart Menezes, alerta para a “delicadeza” da situação geopolítica, ressaltando que esses não são governos de “direitas convencionais”. Menezes expressa preocupação, em especial, com a cooperação ambiental.

A colaboração em temas ligados à Amazônia, que se aprofundou com o governo anterior de Gustavo Petro na Colômbia, pode ser seriamente afetada. Segundo o especialista, a Colômbia vinha desempenhando um papel crucial no contrabalanceamento do afastamento da Argentina nas relações com o Brasil, e a mudança de perfil do governo colombiano pode comprometer avanços importantes na proteção ambiental e no diálogo regional sobre a floresta.

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

Ver mais matérias