Brasil Pressiona EUA e Cita Interferência Política em Discussão Sobre Taxas
Ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC, destaca urgência em negociação para evitar tarifas dos EUA e critica politização do debate por figuras como filhos de Bolsonaro.
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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, alertou sobre a urgência de um acordo com os Estados Unidos para evitar a taxação extra de produtos brasileiros. Ele criticou a interferência política no debate comercial. As declarações ocorreram na quinta-feira, 2 de julho de 2026, após uma reunião virtual com a Representação Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês). O prazo para o início da cobrança das tarifas expira em 15 de julho de 2026.
Negociações Urgentes
O governo brasileiro deve trabalhar com muita firmeza, seguindo a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou Márcio Elias. Ele reproduziu uma fala de Lula: “Nunca abandone a mesa de negociação.” O ministro completou: “Quem defende o multilateralismo, como o Brasil, tem que saber lutar contra as barreiras que são impostas.”
Márcio Elias Rosa assumiu a pasta em abril de 2026, após a renúncia do então vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin. Ele passou a integrar a mesa de negociação com os americanos. Na quinta-feira, 2 de julho de 2026, o ministro participou da reunião virtual com a USTR, acompanhado de representantes do Ministério das Relações Exteriores e da assessoria especial da Presidência da República.
Esta foi a quarta reunião de alto nível para tratar do tema com o governo estrangeiro, somando-se a outras oito de nível técnico. A pauta da reunião incluiu temas como a aproximação das polícias brasileira e americana “para combate ao crime organizado transnacional, lavagem de dinheiro e a questão de imigração.” As partes também conversaram sobre a atração de data centers e a proteção de patentes. “O Brasil já atua no padrão internacional,” sustentou o ministro.
Interferência Política
Após o encontro, Márcio Elias conversou com jornalistas e manifestou preocupação com o prazo para se chegar a um acordo. “O tempo corre contra porque o prazo é 15 de julho,” ressaltou o ministro, referindo-se ao início da cobrança das tarifas. Ele acrescentou que algumas questões “poluem o debate.”
Perguntado sobre quais questões, ele respondeu, sem citar nomes, à articulação de integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, no Brasil e nos Estados Unidos. Ele citou: “O exemplo pode ser também a publicação por quem estava nos Estados Unidos, um ex-deputado federal, se dizendo autor, patrocinador do tarifaço. Ao mesmo tempo, alguém aqui no Brasil celebrando nas redes sociais o fato de ter sido imposto.”
A referência aponta para os filhos do ex-presidente: o deputado cassado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência em 2026. Para o ministro, eles não são “capazes de causar algum alvoroço, mas poluem o debate político ou colocam no debate, que é econômico e comercial, um componente político que não deveria estar.”
“Não cabe na mesa de negociação da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas; isso não tem cabimento,” afirmou o ministro.
Márcio Elias fez as declarações após participar do 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. O ministro atrasou seu discurso no evento por causa da reunião com os americanos.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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