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POLÍTICA

Flávio Bolsonaro Pede a Trump Não Taxar Produtos Brasileiros; Governo Lula Reage a Acusações

Senador do PL solicita que EUA não imponham tarifas de 25% e acusa governo de usar retaliação como vitória política interna; MDIC confirma diálogo contínuo com USTR sobre investigação da Seção 301.

02/07/2026 às 15:17
3 min de leitura
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite ao Senado

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou formalmente ao governo dos Estados Unidos que não imponha novas tarifas a produtos brasileiros. A manifestação, enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), ocorre enquanto a administração do presidente Donald Trump considera a aplicação de taxas de 25% sobre bens do Brasil, após uma investigação da Seção 301. Bolsonaro argumenta que as tarifas recompensariam o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ele acusa de protelar negociações sérias.

Flávio Bolsonaro inscreveu-se no último dia do prazo, 22 de junho, para falar presencialmente na audiência pública do USTR sobre a investigação da Seção 301. A audiência está marcada para 6 de julho de 2026 em Washington. O senador pediu os cinco minutos padrão para testemunhas e confirmou seu comparecimento presencial, atuando em sua capacidade pessoal e oficial como senador federal e membro da oposição.

O parlamentar afirmou que o governo Lula “protela negociações sérias, provoca Washington para gerar retaliações e converte a resposta em vitória política interna”. Ele também declarou que os EUA e o Brasil foram “parceiros de primeira ordem” e que somente sob o governo Lula os países se afastaram. Bolsonaro lembrou que uma carta do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, indicou a audiência com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, como o canal institucional legítimo para discutir o tema, caminho que, segundo Flávio, Lula se recusou a seguir para defender as empresas brasileiras e o Brasil.

Reunião entre governo Lula e administração Trump

Apesar das declarações de Flávio Bolsonaro, o governo Lula reuniu-se nesta manhã, 2 de julho de 2026, com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro seguiu um acordo de 7 de maio entre o presidente brasileiro e Donald Trump para buscar uma solução na negociação do comércio bilateral.

O ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), informou em nota que a reunião de hoje já estava programada. “Mantive minha quarta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. As reuniões anteriores aconteceram nos dias 19 e 28 de maio e 13 de junho e foram intercaladas de outros encontros no nível técnico”, esclareceu o ministro.

Seção 301

O USTR concluiu, em 1º de junho de 2026, uma investigação iniciada em julho de 2025. Segundo o governo Lula, a iniciativa para a investigação está “associada à família Bolsonaro”. O relatório identifica práticas brasileiras consideradas “desleais” ou discriminatórias. Entre elas, destacam-se:

  • Digital trade e serviços de pagamento eletrônico (defesa do Pix como sistema instantâneo).
  • Tarifas preferenciais injustas.
  • Aplicação de leis anticorrupção.
  • Proteção de propriedade intelectual.
  • Acesso ao mercado de etanol.
  • Desmatamento ilegal.

Como ação proposta, o USTR recomenda tarifas de 25% sobre a maioria dos bens brasileiros, com algumas exceções, como certos produtos agrícolas ou energéticos. A decisão final cabe ao presidente Donald Trump. O período de comentários públicos encerrou em 1º de julho, e a audiência ocorre em 6 de julho.

Nos documentos enviados ao USTR (Dockets USTR-2026-0397 para inscrição e USTR-2026-0331 para comentários escritos), Flávio Bolsonaro argumenta que: “As tarifas não atingem o objetivo da Se”.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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