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POLÍTICA

Flávio Bolsonaro viajará aos EUA para defender Pix após relatório do USTR e crítica de Lula

Senador, pré-candidato à Presidência em 2026, rebateu acusação de "interesses estrangeiros" e propôs soluções ao governo americano.

03/07/2026 às 17:16
3 min de leitura
Em reunião, partidos de centro-direita apontam resistência a Flávio Bolsonaro

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, anunciou que viajará aos Estados Unidos na próxima semana para defender o sistema de pagamentos Pix. A iniciativa surge após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) listar o Pix como uma barreira comercial imposta pelo Brasil, e em meio a críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a família Bolsonaro querer entregar o sistema a “interesses estrangeiros”.

Defesa do Pix por Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro publicou um vídeo em seu Instagram na quinta-feira, 2 de julho de 2026, afirmando: “Pix é brasileiro, sem taxa e ninguém mexe”. Ele detalhou que esta será sua segunda viagem ao país norte-americano com o mesmo objetivo. “Eu já fiz essa defesa pessoalmente lá nos EUA, junto ao presidente Trump, ao lado do secretário de Estado, Marco Rubio. Na próxima semana eu volto aos Estados Unidos para reforçar essa defesa”, declarou o senador.

Na quarta-feira, 1º de julho de 2026, Flávio Bolsonaro já havia abordado o tema do Pix em uma carta enviada ao governo dos EUA.

Reação de Lula

Em resposta à carta do senador, o presidente Lula argumentou que a família Bolsonaro estaria tentando entregar o Pix a “interesses estrangeiros”. “Como se não bastasse, querem entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele”, escreveu Lula.

Conteúdo da Carta de Flávio aos EUA

Na carta, Flávio Bolsonaro descreveu o Pix como “uma das marcas registradas” do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador destacou que o meio de pagamento representa “um avanço tecnológico” com “poder empreendedor transformador”, visão que, segundo ele, o ex-presidente Donald Trump compartilha.

O documento também apresentou o Pix como “uma infraestrutura pública soberana de pagamentos”, comparável ao “FedNow”, sistema administrado pelo Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro argumentou que “a tese de conflito de interesses é insustentável”, pois o Pix não configura uma “empresa comercial concorrente”. Consequentemente, para o parlamentar, a aplicação de sanções ou tarifas por esse motivo seria “inadequada”.

O senador também afirmou: “O volume de transações com cartões dos Estados Unidos no Brasil cresceu paralelamente ao Pix; e a formalização de dezenas de milhões de brasileiros ampliou o mercado consumidor para empresas norte-americanas — nos setores de comércio eletrônico, plataformas e fintechs”.

Para resolver o impasse, Flávio Bolsonaro propôs um “compromisso legislativo” que impediria a integração do Pix a sistemas de pagamento internacional não ocidentais. Ele também sugeriu que o governo brasileiro aliviasse a “carga regulatória e tributária” sobre os métodos de pagamentos privados.

Pix como Obstáculo em Relatório do USTR

A Casa Branca, por meio do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), publicou na terça-feira, 30 de junho de 2026, um documento que aponta o sistema Pix, o projeto de lei para plataformas de internet e os impostos sobre encomendas expressas como barreiras impostas pelo Brasil ao comércio exterior.

A lista de obstáculos do relatório inclui reclamações sobre:

  • Demora na análise de patentes;
  • Problemas na proteção de propriedade de invenções;
  • Tarifas de importação de etanol;
  • Restrições contra a entrada de carne de porco dos Estados Unidos;
  • Cotas de exibição para produções de vídeo e cinema do Brasil.

Sobre as remessas expressas, o relatório do USTR indica que o governo do Brasil cobra um imposto de 60% para pacotes de importação sob o processo de liberação em alfândegas.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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