Investigação Concluída: Cão Morto Enviado a Vereadora Era de Suspeita em Protesto
Polícia Civil de Novo Hamburgo detalha motivação e indicia mulher por injúria real, poluição e maus-tratos após envio de animal a Deza Guerreiro.
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A Polícia Civil de Novo Hamburgo concluiu na quinta-feira, 9 de julho de 2026, a investigação sobre o envio de um cão morto à vereadora Deza Guerreiro (Novo Hamburgo, RS). O delegado Rafael Sauthier confirmou que o animal, um Pinscher, pertencia à própria acusada. Ela agiu em “protesto” contra a suposta omissão do poder público.
A vereadora recebeu a caixa com o animal morto em seu gabinete na segunda-feira, 6 de julho de 2026. A acusada, cuja identidade não foi revelada, afirmou que a remessa da carcaça do animal configurou uma manifestação contra a atuação das autoridades em relação aos cães comunitários.
Detalhes da Investigação
A investigação apurou que o cão da acusada sofreu um ataque no sábado, 4 de julho de 2026. Cães comunitários, que vivem próximos à residência da tutora, atacaram o Pinscher durante seu passeio diário. No mesmo dia, a mulher contatou o vice-prefeito para relatar o ocorrido e buscar ajuda.
O delegado Sauthier detalhou os esforços da acusada para socorrer o animal. “A acusada tentou tratar ele, limpando as feridas e ministrando dipirona. Porém, alegou falta de condições financeiras para levar o animal a um tratamento veterinário, pois ela própria havia tido gastos significativos com um problema de saúde que sofreu recentemente”, escreveu Sauthier.
O cão morreu na madrugada de 5 para 6 de julho de 2026. Na manhã da segunda-feira, 6 de julho de 2026, a mulher contratou um serviço de aplicativo. Ela pediu que o motorista entregasse uma caixa na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, direcionada a Deza Guerreiro, conhecida defensora da causa animal. Dentro da caixa, estava o corpo do cão.
Sauthier esclareceu que o motorista de aplicativo não teve qualquer participação nos eventos. Ele desconhecia o conteúdo da caixa, apenas realizou a entrega contratada. “A remessa da carcaça do animal foi uma forma de protesto pela omissão (pela ótica dela) do poder público em relação à questão dos cães comunitários que, segundo ela, já teriam atacado e matado outro animal de uma vizinha”, afirmou o delegado.
A prefeitura e a vereadora, contudo, informaram não haver registros de protocolos de reclamações anteriores. Tanto na prefeitura quanto no gabinete da parlamentar, não constam queixas referentes ao problema dos cães comunitários.
Crimes Imputados
A acusada responderá pelos seguintes delitos, conforme a conclusão da investigação:
- Injúria real;
- Poluição – descarte irregular de carcaça de animal e transporte irregular de resíduos sólidos;
- Maus-tratos de animais (cães e gatos) – qualificado na forma comissiva por omissão.
Reação da Vereadora
Deza Guerreiro recebeu o pacote em seu gabinete na segunda-feira, 6 de julho de 2026. A caixa exibia a inscrição “Vereadora Deza Guerreiro, com carinho para proteger os animais”. Em vídeo publicado nas redes sociais, a vereadora expressou inicialmente emoção. Ao abrir o pacote, ela se assustou e manifestou receio de que pudesse ser um corpo. A gravação mostra o corpo do cachorro, sem vida, após o conteúdo ser desembrulhado de sacolas de lixo.
Em sua postagem, Deza Guerreiro classificou o ato como criminoso, cruel e covarde. “Eu não vou descansar até descobrir quem foi o autor desse ataque. O que esse sujeito fez é terrorismo. Matar um animal e enviar o seu corpo como MENSAGEM?”, escreveu a vereadora.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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