Cabeça Gorda ordenou execução de delator em tribunal do crime de Sidrolândia
Líder de facção preso decretou pena de morte via videochamada; vítima escapou ao saltar do porta-malas.
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Ferimentos na orelha e lateral do rosto da vítima do ‘tribunal do crime’ (Foto: Reprodução). Alvo de atirador na tarde de quarta-feira (12), no Bairro Pindorama, em Sidrolândia (a 71 km de Campo Grande), o homem de 31 anos, identificado como ‘Cabeça Gorda’, foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por comandar a execução de um delator determinada por integrantes de um grupo criminoso. A ação não ocorreu porque a vítima fugiu. O caso foi registrado em julho de 2024, na zona rural da mesma cidade.
Organização criminosa operava de dentro do presídio
Segundo a denúncia, ao longo de 2023 e 2024, ‘Cabeça Gorda’ manteve uma organização criminosa em Sidrolândia junto com outras sete pessoas, incluindo duas mulheres — uma delas sua companheira. Mesmo custodiado no sistema prisional, ele operava o tráfico de drogas e decretava punições violentas com o apoio da esposa nas ruas e de comparsas como ‘Goiano’ e ‘Mandela’. A acusação aponta que ‘Cabeça Gorda’ ordenou a execução de outro homem, apelidado de ‘Maranhão’, acusado pela facção de ter delatado as operações do bando.
Julgamento ao vivo por videochamada
Para realizar o ‘julgamento’, ‘Goiano’ atraiu a vítima até a residência da esposa do líder. O caso ocorreu na noite de 8 de julho de 2024. No local, os criminosos realizaram uma videochamada ao vivo com ‘Cabeça Gorda’, que estava em unidade penal. Do celular, o presidiário leu o interrogatório policial da vítima e decretou a pena de morte perante os comparsas, entre eles ‘Mandela’, que atuava na venda direta de entorpecentes em um ponto fixo na Rua Leôncio de Souza Brito.
- Sentença: ‘Goiano’ desferiu uma coronhada com revólver calibre .38 na cabeça de ‘Maranhão’.
- Sequência: Outro comparsa amarrou pés e mãos da vítima com cordas e a amordaçou.
- Tentativa de execução: Inconsciente, ele foi colocado no porta-malas de um Corsa preto para ser levado à zona rural, perto da Fazenda ‘Boa Sorte’.
Fuga espetacular durante o trajeto
Durante o trajeto, a vítima recobrou os sentidos e conseguiu se desamarrar. Quando os executores pararam o carro e abriram o compartimento, ‘Maranhão’ saltou do porta-malas, correu para a vegetação e buscou socorro em uma propriedade vizinha, escapando da execução. Os envolvidos foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de integrar e promover organização criminosa — imputados a ‘Cabeça Gorda’, ‘Mandela’, ‘Goiano’ e demais membros — além de homicídio qualificado tentado, por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ainda não houve julgamento.
Antecedentes criminais de ‘Cabeça Gorda’
Conforme apurou o Campo Grande News, ‘Cabeça Gorda’ tem passagens por posse ou porte ilegal de arma de fogo, ameaça, violência doméstica e tráfico de drogas. Conversas anexadas ao processo mostram o comércio de drogas comandado por ele. A tentativa de homicídio ocorreu quando a vítima estava na residência da namorada. Um homem e uma mulher chegaram de motocicleta, bateram palmas no portão e o chamaram pelo nome. Ao sair, os dois o surpreenderam e efetuaram diversos disparos.
Detalhes do ataque a tiros
Durante os tiros, a arma do homem apresentou pane. A mulher entregou a própria arma para que ele concluísse os disparos. Mesmo ferido, o homem escapou e correu para imóveis próximos, pegou uma motocicleta e foi por conta própria ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa. A equipe médica constatou ferimentos no abdômen (entrada frontal, saída pelas costas) e no antebraço esquerdo, onde o projétil ficou alojado. A vítima estava consciente e orientada.
- Reconhecimento: A vítima identificou a mulher envolvida pelo apelido ‘Samarão’.
- Prisão: PMs abordaram Samara e Westlley em um Volkswagen Gol branco; Westlley confessou ter atirado, e Samara admitiu pilotar a moto.
- Materiais apreendidos: Um revólver calibre .38 com 5 munições, 20 munições calibre .380 e dois carregadores de pistola.
Samara indicou onde a motocicleta foi abandonada e onde estavam o casaco preto e o capacete usados no crime. Ela também disse que as armas estavam dentro do casaco. A motocicleta utilizada no crime foi abandonada em um matagal (Foto: Divulgação). Arma e munições apreendidas pela PM após a prisão dos autores (Foto: Divulgação).
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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