Sábado, 17 de Outubro de 2026

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Menu
ESTADO

Cabeça Gorda ordenou execução de delator em tribunal do crime de Sidrolândia

Líder de facção preso decretou pena de morte via videochamada; vítima escapou ao saltar do porta-malas.

13/08/2026 às 07:52
3 min de leitura
Baleado no portão de casa determinou morte de delator em tribunal do crime de Sidrolândia
Ferimentos na orelha e lateral do rosto da vítima do “tribunal do crime” (Foto: Reprodução)

Anuncie Aqui

Ferimentos na orelha e lateral do rosto da vítima do ‘tribunal do crime’ (Foto: Reprodução). Alvo de atirador na tarde de quarta-feira (12), no Bairro Pindorama, em Sidrolândia (a 71 km de Campo Grande), o homem de 31 anos, identificado como ‘Cabeça Gorda’, foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por comandar a execução de um delator determinada por integrantes de um grupo criminoso. A ação não ocorreu porque a vítima fugiu. O caso foi registrado em julho de 2024, na zona rural da mesma cidade.

Organização criminosa operava de dentro do presídio

Segundo a denúncia, ao longo de 2023 e 2024, ‘Cabeça Gorda’ manteve uma organização criminosa em Sidrolândia junto com outras sete pessoas, incluindo duas mulheres — uma delas sua companheira. Mesmo custodiado no sistema prisional, ele operava o tráfico de drogas e decretava punições violentas com o apoio da esposa nas ruas e de comparsas como ‘Goiano’ e ‘Mandela’. A acusação aponta que ‘Cabeça Gorda’ ordenou a execução de outro homem, apelidado de ‘Maranhão’, acusado pela facção de ter delatado as operações do bando.

Julgamento ao vivo por videochamada

Para realizar o ‘julgamento’, ‘Goiano’ atraiu a vítima até a residência da esposa do líder. O caso ocorreu na noite de 8 de julho de 2024. No local, os criminosos realizaram uma videochamada ao vivo com ‘Cabeça Gorda’, que estava em unidade penal. Do celular, o presidiário leu o interrogatório policial da vítima e decretou a pena de morte perante os comparsas, entre eles ‘Mandela’, que atuava na venda direta de entorpecentes em um ponto fixo na Rua Leôncio de Souza Brito.

  • Sentença: ‘Goiano’ desferiu uma coronhada com revólver calibre .38 na cabeça de ‘Maranhão’.
  • Sequência: Outro comparsa amarrou pés e mãos da vítima com cordas e a amordaçou.
  • Tentativa de execução: Inconsciente, ele foi colocado no porta-malas de um Corsa preto para ser levado à zona rural, perto da Fazenda ‘Boa Sorte’.

Fuga espetacular durante o trajeto

Durante o trajeto, a vítima recobrou os sentidos e conseguiu se desamarrar. Quando os executores pararam o carro e abriram o compartimento, ‘Maranhão’ saltou do porta-malas, correu para a vegetação e buscou socorro em uma propriedade vizinha, escapando da execução. Os envolvidos foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de integrar e promover organização criminosa — imputados a ‘Cabeça Gorda’, ‘Mandela’, ‘Goiano’ e demais membros — além de homicídio qualificado tentado, por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ainda não houve julgamento.

Antecedentes criminais de ‘Cabeça Gorda’

Conforme apurou o Campo Grande News, ‘Cabeça Gorda’ tem passagens por posse ou porte ilegal de arma de fogo, ameaça, violência doméstica e tráfico de drogas. Conversas anexadas ao processo mostram o comércio de drogas comandado por ele. A tentativa de homicídio ocorreu quando a vítima estava na residência da namorada. Um homem e uma mulher chegaram de motocicleta, bateram palmas no portão e o chamaram pelo nome. Ao sair, os dois o surpreenderam e efetuaram diversos disparos.

Detalhes do ataque a tiros

Durante os tiros, a arma do homem apresentou pane. A mulher entregou a própria arma para que ele concluísse os disparos. Mesmo ferido, o homem escapou e correu para imóveis próximos, pegou uma motocicleta e foi por conta própria ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa. A equipe médica constatou ferimentos no abdômen (entrada frontal, saída pelas costas) e no antebraço esquerdo, onde o projétil ficou alojado. A vítima estava consciente e orientada.

  • Reconhecimento: A vítima identificou a mulher envolvida pelo apelido ‘Samarão’.
  • Prisão: PMs abordaram Samara e Westlley em um Volkswagen Gol branco; Westlley confessou ter atirado, e Samara admitiu pilotar a moto.
  • Materiais apreendidos: Um revólver calibre .38 com 5 munições, 20 munições calibre .380 e dois carregadores de pistola.

Samara indicou onde a motocicleta foi abandonada e onde estavam o casaco preto e o capacete usados no crime. Ela também disse que as armas estavam dentro do casaco. A motocicleta utilizada no crime foi abandonada em um matagal (Foto: Divulgação). Arma e munições apreendidas pela PM após a prisão dos autores (Foto: Divulgação).

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

Ver mais matérias