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Gilmar Mendes propõe afastamento de delegados da PF dos gabinetes do STF

Decano do STF quer evitar que presença de policiais federais nos gabinetes gere conflitos e interferências em inquéritos.

03/09/2026 às 14:06
3 min de leitura
Gilmar Mendes propõe que delegados da Polícia Federal deixem os gabinetes dos ministros do STF
Foto: Sergio Lima/AFP

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O decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, voltou a defender que os gabinetes da Corte deixem de ter delegados da Polícia Federal em sua estrutura. A proposta, já apresentada por ele em outra ocasião, deve ser reiterada ao presidente do tribunal, Edson Fachin, em encontro marcado para tratar do tema.

Na avaliação do ministro, a convivência próxima entre policiais federais e magistrados aumenta o risco de a Corte ser arrastada para crises recorrentes e de haver interferência no rumo de inquéritos. O entendimento ganhou força no período de atrito entre o ministro André Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Tensão entre Mendonça e PF

A discussão avança no mesmo momento em que o Supremo atravessa uma nova etapa de tensão. Relator do caso Master, Mendonça determinou a quebra do sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento traz conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março e alvo de apuração por fraude financeira de grande porte.

Hoje, dois delegados trabalham no gabinete de Mendonça. Outros dois atuam junto a Moraes e a Luiz Fux. Para Gilmar Mendes, essa presença precisa ser interrompida para preservar a Corte de novos embates e de questionamentos sobre o andamento das investigações.

Investigações sob relatoria de Mendonça

Mendonça concentra algumas das apurações de maior peso político e eleitoral. Além do inquérito sobre fraudes em descontos do INSS, estão sob sua relatoria duas das três novas investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha:

  • Banco Master: apuração sobre fraude financeira de grande porte.
  • Filme Dark Horse: investigação sobre o financiamento da obra sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

De um lado, a direção da PF alega interferência na condução dos trabalhos. Do outro, o gabinete de Mendonça critica a lentidão da corporação para avançar nas apurações, inclusive na que cita Lulinha.

Caso Master e mensagens de Vorcaro

O impasse se agravou nesta semana com a divulgação do relatório da PF no caso Master. Mensagens atribuídas a Vorcaro mencionam o diretor-geral da Polícia Federal e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da primeira prisão do ex-banqueiro, ele escreveu a Moraes: “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”

A cúpula da PF também reagiu mal ao fato de Vorcaro ter prestado depoimento, na semana passada, a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, com a presença de um representante da Procuradoria-Geral da República. No depoimento, o ex-banqueiro afirmou que a proteção a um diretor da PF teria impedido uma delação.

O diretor-geral da corporação chegou a classificar como abuso de poder a forma como Mendonça conduziu as investigações em que aparecem as mensagens trocadas com Moraes. O episódio aprofundou o mal-estar entre o gabinete do relator, a Polícia Federal e a PGR.

É nesse cenário que Gilmar Mendes pretende firmar com Fachin a tese de que delegados da PF não devem permanecer lotados nos gabinetes dos ministros. Para o decano, o recuo institucional evitaria que o tribunal continue exposto a sucessivos conflitos e a suspeitas de interferência sobre inquéritos em andamento.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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