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POLÍTICA

STF em alerta: PF suspeita de investigação clandestina contra Mendonça

Ministros do STF veem indícios de apuração irregular da Polícia Federal contra o gabinete de André Mendonça.

04/09/2026 às 08:07
3 min de leitura
Desconfiança no STF: PF é suspeita de investigação clandestina contra Mendonça
Reprodução / STF

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Um clima de forte desconfiança tomou conta do Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos dias. Ministros da Corte avaliam que a Polícia Federal (PF) pode estar conduzindo uma apuração irregular contra o gabinete do ministro André Mendonça, relator de casos sensíveis como o Banco Master.

Indícios de investigação clandestina

A suspeita surgiu no âmbito de um inquérito aberto a pedido da defesa do filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha. O objetivo inicial era esclarecer vazamentos de conversas da jornalista Roberta Luchsinger. No entanto, relatórios de inteligência produzidos nesse processo passaram a mencionar condutas de Mendonça que poderiam configurar crimes.

No despacho que encaminhou o caso ao ministro Edson Fachin, o ministro Alexandre de Moraes listou possíveis ilícitos atribuídos a Mendonça. Entre eles, estão:

  • Improbidade administrativa
  • Crimes de responsabilidade
  • Abuso de autoridade
  • Quebra de imparcialidade

Para integrantes do STF, essa formulação equivale a um reconhecimento de que a PF teria investigado o ministro de forma irregular, sem o devido respaldo institucional.

Presença de delegados nos gabinetes

Outro ponto de tensão é a presença de delegados da PF que atuam diretamente nos gabinetes dos ministros. O gabinete de Mendonça conta com esses profissionais, o que tem despertado críticas. O presidente Lula já se manifestou contra a lotação de delegados fora da estrutura formal da corporação, gerando atrito com Mendonça.

A situação não evoluiu para uma crise maior porque o advogado-geral da União, Jorge Messias, interveio para acalmar os ânimos. O ministro da Justiça, Wellington Silva, recusou-se a formalizar qualquer medida de remoção dos delegados.

Reações e disputas internas

A decisão de Moraes funcionou como um estopim. O documento revela que o relator do inquérito das fake news tomou conhecimento de relatórios de inteligência que mencionam integrantes do próprio STF. Ministros ouvidos sob reserva classificaram o episódio como extremamente grave.

Circula nos corredores do tribunal a tese de que setores internos tentam fabricar elementos para desacreditar Mendonça. Isso favoreceria um grupo interessado em reduzir o impacto de informações sobre negócios do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.

O presidente do STF, Edson Fachin, recebeu a incumbência de analisar se as condutas configuram ilícitos. Ao mesmo tempo, circulou a informação de que Fachin teria sido aconselhado a extinguir a lotação de delegados nos gabinetes.

Cenário de instabilidade

O conjunto de episódios alimenta a percepção de que o tribunal vive um confronto interno sem precedentes. De um lado, a relatoria de Mendonça no caso Master. De outro, o interesse em preservar ou questionar as relações entre Vorcaro e Moraes.

A recomendação para Fachin encerrar a presença de delegados é vista como mais um sinal de que o tema deixou de ser interno e passou a envolver cálculos políticos mais amplos. O governo federal observa o desenrolar dos acontecimentos, calculando riscos de um choque direto com o STF.

Independentemente do desfecho, o episódio já deixou marcas. Mendonça tornou-se o ponto de convergência das tensões. A suspeita de investigações clandestinas contra um ministro relator de um caso de grande repercussão é tratada como um fato que ultrapassa o limite do aceitável.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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