STF em alerta: PF suspeita de investigação clandestina contra Mendonça
Ministros do STF veem indícios de apuração irregular da Polícia Federal contra o gabinete de André Mendonça.
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Um clima de forte desconfiança tomou conta do Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos dias. Ministros da Corte avaliam que a Polícia Federal (PF) pode estar conduzindo uma apuração irregular contra o gabinete do ministro André Mendonça, relator de casos sensíveis como o Banco Master.
Indícios de investigação clandestina
A suspeita surgiu no âmbito de um inquérito aberto a pedido da defesa do filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha. O objetivo inicial era esclarecer vazamentos de conversas da jornalista Roberta Luchsinger. No entanto, relatórios de inteligência produzidos nesse processo passaram a mencionar condutas de Mendonça que poderiam configurar crimes.
No despacho que encaminhou o caso ao ministro Edson Fachin, o ministro Alexandre de Moraes listou possíveis ilícitos atribuídos a Mendonça. Entre eles, estão:
- Improbidade administrativa
- Crimes de responsabilidade
- Abuso de autoridade
- Quebra de imparcialidade
Para integrantes do STF, essa formulação equivale a um reconhecimento de que a PF teria investigado o ministro de forma irregular, sem o devido respaldo institucional.
Presença de delegados nos gabinetes
Outro ponto de tensão é a presença de delegados da PF que atuam diretamente nos gabinetes dos ministros. O gabinete de Mendonça conta com esses profissionais, o que tem despertado críticas. O presidente Lula já se manifestou contra a lotação de delegados fora da estrutura formal da corporação, gerando atrito com Mendonça.
A situação não evoluiu para uma crise maior porque o advogado-geral da União, Jorge Messias, interveio para acalmar os ânimos. O ministro da Justiça, Wellington Silva, recusou-se a formalizar qualquer medida de remoção dos delegados.
Reações e disputas internas
A decisão de Moraes funcionou como um estopim. O documento revela que o relator do inquérito das fake news tomou conhecimento de relatórios de inteligência que mencionam integrantes do próprio STF. Ministros ouvidos sob reserva classificaram o episódio como extremamente grave.
Circula nos corredores do tribunal a tese de que setores internos tentam fabricar elementos para desacreditar Mendonça. Isso favoreceria um grupo interessado em reduzir o impacto de informações sobre negócios do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.
O presidente do STF, Edson Fachin, recebeu a incumbência de analisar se as condutas configuram ilícitos. Ao mesmo tempo, circulou a informação de que Fachin teria sido aconselhado a extinguir a lotação de delegados nos gabinetes.
Cenário de instabilidade
O conjunto de episódios alimenta a percepção de que o tribunal vive um confronto interno sem precedentes. De um lado, a relatoria de Mendonça no caso Master. De outro, o interesse em preservar ou questionar as relações entre Vorcaro e Moraes.
A recomendação para Fachin encerrar a presença de delegados é vista como mais um sinal de que o tema deixou de ser interno e passou a envolver cálculos políticos mais amplos. O governo federal observa o desenrolar dos acontecimentos, calculando riscos de um choque direto com o STF.
Independentemente do desfecho, o episódio já deixou marcas. Mendonça tornou-se o ponto de convergência das tensões. A suspeita de investigações clandestinas contra um ministro relator de um caso de grande repercussão é tratada como um fato que ultrapassa o limite do aceitável.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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