Rogério Marinho rejeita assinar impeachment de Moraes por estratégia processual
Senador explica que não assina pedido de impeachment para evitar que sua participação seja usada para anular o julgamento futuro.
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O senador Rogério Marinho (PL-RN) decidiu não assinar o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A recusa, segundo o parlamentar, não significa minimização das denúncias, mas sim uma estratégia para preservar a validade do processo.
Estratégia processual para evitar anulação
Marinho sustenta que, se o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, der andamento ao pedido e os senadores se tornarem julgadores, qualquer irregularidade formal — como o fato de um futuro julgador ter atuado como autor — poderia ser explorada para derrubar o rito. Por isso, ele prefere ficar de fora da lista de assinaturas.
Contexto das denúncias contra Moraes
As denúncias envolvem a relação do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Mensagens tornadas públicas pelo ministro André Mendonça, relator das investigações, mostram proximidade entre Moraes, Vorcaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A oposição intensificou a cobrança por impeachment, mas Marinho adota postura cautelosa.
Outras frentes de atuação do senador
Apesar de não assinar o impeachment, Marinho afirma que não está omisso. Ele já tomou outras medidas:
- Notícia-crime: Protocolou na PGR pedindo o afastamento e a prisão de Moraes.
- Cobrança ao PGR: Exigiu o afastamento de Paulo Gonet.
- Presidência da República: Pediu a saída de Andrei Rodrigues do comando da PF.
- STF: Solicitou ao presidente Edson Fachin abertura de investigação contra Moraes.
Pressão sobre o Senado
O Senado acumula 109 pedidos de impeachment contra ministros da Corte, número classificado como atípico por Alcolumbre. Só na terça-feira, 1º de setembro, três novos pedidos foram protocolados. Moraes é o principal alvo. Marinho tenta equilibrar a pressão da base com a necessidade de um rito sólido. Ele argumenta que o Brasil vive um período de insegurança jurídica e que é preciso agir com firmeza, mas sem entregar brechas processuais.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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