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Ex-prefeito é investigado por suposto uso eleitoral do Fundeb na Bahia

Carlinhos Sobral nega irregularidades após denúncia de funcionários fantasmas na folha do Fundeb em Coronel João Sá.

08/09/2026 às 05:48
3 min de leitura

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A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o ex-prefeito de Coronel João Sá (BA), Carlos Augusto Silveira Sobral, o Carlinhos Sobral, por suspeita de usar recursos do Fundeb para fortalecer sua base eleitoral. Uma reportagem do jornalista Marcelo Santos aponta que pessoas de outros municípios foram incluídas na folha de pagamento do Fundeb 70% sem exercer função. Sobral, que é pré-candidato a deputado estadual em 2026, nega as acusações.

Áudio e lista de suspeitos

Em outubro de 2025, um áudio atribuído a Josiano Lima Rodrigues, o “Josa do BTN”, suplente de vereador em Paulo Afonso, sugeriu que Sobral lhe pagava R$ 3 mil mensais desde janeiro. Na folha da prefeitura, Josa consta como agente administrativo temporário da Secretaria de Educação, com salário líquido de R$ 2.003,12.

O levantamento revelou duas listas de servidores suspeitos:

  • Lista 1: 222 pessoas identificadas, residentes em mais de 50 cidades da Bahia, que receberam R$ 2.859.742,85 em 2025.
  • Lista 2: 99 pessoas sem endereço eleitoral conhecido, que receberam R$ 1.087.451,08.

No total, são 321 nomes e R$ 3.947.193,93 pagos diretamente pela folha do Fundeb em 2025.

Mudança na lei após denúncia

A primeira reportagem foi publicada em 24 de outubro de 2025. Cinco dias depois, a prefeitura protocolou um projeto para ampliar o trabalho remoto, que virou a Lei 515/2025 em novembro. Após denúncia no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), o prefeito foi convocado três vezes para explicações, mas não houve resposta de mérito.

Contratos milionários com terceirizada

Em dezembro de 2025, a prefeitura contratou a Santorini Serviços Ltda. para fornecer mão de obra à Educação. Os contratos somam R$ 14.114.376,30, pagos com recursos do Fundeb até julho de 2026:

  • Contrato 182/2025: R$ 13.725.512,62
  • Contrato 181/2025: R$ 388.863,68

A medição de janeiro de 2026 lista 150 assistentes administrativos, 55 auxiliares, 4 recepcionistas, 57 motoristas e 126 vigias, além de 15.040 horas extras. O valor da medição ultrapassa R$ 1,83 milhão. A prefeitura não enviou ao TCM a lista nominal dos terceirizados, dificultando a verificação.

Papel de Rosana Lisboa e exoneração

Uma fonte ligada a lideranças do interior afirmou que, após acordos políticos, Rosana Lisboa — também citada na folha do Fundeb — recolhia documentos dos indicados e os enviava ao RH da prefeitura. Sobral foi chefe de gabinete no período investigado, exonerado em 30 de março de 2026 para se desincompatibilizar. Em 10 de abril, sua esposa, Jaqueline Rios Lima Sobral, assumiu o cargo.

Investigação em andamento

O caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal (Notícia de Fato 1.14.004.000043/2026-51) e resultou em inquérito policial. A PF apura possível pagamento sem trabalho, fraude contratual e uso da máquina pública para fins eleitorais. Até o momento, não há indiciamento nem condenação, prevalecendo a presunção de inocência.

Nota de defesa de Carlinhos Sobral

Em nota, Carlos Augusto Silveira Sobral repudiou as acusações, afirmando que não era prefeito nem ordenador de despesas em 2025. Ele destacou que jamais administrou recursos do Fundeb, comandou a folha ou contratou a Santorini. Sobre o áudio, disse que não há perícia de autenticidade e que o valor citado difere do registrado. Sobral defende que a investigação seja séria, mas critica o que chama de ataque eleitoral.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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