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POLÍTICA

PF aponta indícios contra Moraes; ministro rebate e nega irregularidades

Relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes será analisado pelo STF nesta terça-feira (15). Ministro nega favorecimento e questiona origem da apuração.

15/09/2026 às 09:49
3 min de leitura
Ministro Alexandre de Moraes, do STF, em sessão plenária; PF aponta indícios em relatório sobre mensagens com empresário Daniel Vorcaro
Reprodução

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O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar nesta terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal (PF) que aponta supostas irregularidades envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. O material, que integra a PET 15645, traz mensagens atribuídas a Vorcaro — dono do Banco Master — e levanta suspeitas sobre possíveis favores ao banco e até interferência em investigações.

A Corte decidirá se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação formal contra Moraes. Porém, já há debates sobre a validade das provas e sobre o alcance do exame pelo colegiado. Enquanto isso, o ministro usou as redes sociais, na segunda-feira (14), para se defender publicamente pela primeira vez.

PF aponta mensagens e contratos entre Vorcaro e Moraes

De acordo com o relatório da PF, as mensagens foram recuperadas do celular de Daniel Vorcaro. Nelas, haveria conversas que indicam um suposto alinhamento entre o empresário e Moraes. A investigação cita dois contratos: um de cerca de R$ 130 milhões, envolvendo o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e outro de R$ 50 milhões, com empresa ligada a Vorcaro.

Em uma das conversas, ocorrida em 15 de novembro de 2025, Vorcaro teria escrito: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, em 17 de novembro, ele foi preso no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, ao tentar embarcar em um jato particular. No dia 14, segundo a PF, Vorcaro teria mencionado uma “dívida de vida” e agradecido por “tudo”, no mesmo dia em que um encontro na casa do empresário foi combinado.

Defesa de Moraes: “não há indício de infração penal”

Em sua manifestação, Moraes afirmou que o relatório não apresenta nenhum indício de crime. Segundo ele, as conversas são “notas de terceiros” e não há mensagens de sua autoria tratando de consultoria, favorecimento ao Banco Master ou conhecimento prévio de operações policiais.

  • Origem da investigação: Moraes criticou a forma como a apuração começou: sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), sem provocação da PF e sem aval do plenário do STF.
  • Vazamento: O ministro negou ter vazado dados e disse que não sabia da Operação Compliance. Para ele, a prisão de Vorcaro com passaporte válido e o próprio celular demonstram que ele não tinha conhecimento do mandado.
  • Recortes sem perícia: Moraes classificou as conclusões como “recortes” sem perícia técnica, apoiadas apenas em prints de bloco de notas e fotos temporárias.

Moraes ataca relatório e fala em “vingança”

Em um trecho mais duro, Moraes disse que a investigação representa uma “ofensiva político-eleitoral” e uma tentativa de “vingança” contra sua atuação no STF. Ele também rebateu a menção a uma suposta edição de contrato: “Na presente hipótese, de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte”, afirmou.

A PGR já havia pedido o arquivamento do caso por “vício de origem”. O relator do caso, ministro André Mendonça, defendeu as medidas como cautelares, citando anotações de Vorcaro que mencionavam nomes como Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. O plenário agora decidirá se há base para investigar Moraes ou se o relatório será invalidado pela forma como foi produzido.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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