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Prefeitos de MS contestam alerta dos EUA sobre risco máximo em fronteiras

Prefeitos de Ponta Porã e Corumbá divergem sobre gravidade do alerta norte-americano que recomenda não viajar para faixa de 160 km da fronteira.

15/09/2026 às 14:26
3 min de leitura
Prefeitos Eduardo Campos e Gabriel Alves de Oliveira comentam alerta dos EUA sobre nível máximo de violência na fronteira de Mato Grosso do Sul
Fuzis, pistolas, revólver, munições e equipamentos apreendidos durante operação em Corumbá, após a morte de soldado (Foto: Divulgação)

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O governo dos Estados Unidos elevou para o nível 4, o mais alto, o alerta de viagens para a faixa de 160 quilômetros da fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia. Em Mato Grosso do Sul, municípios como Corumbá, Ladário, Ponta Porã, Bela Vista, Porto Murtinho e Mundo Novo foram incluídos. A recomendação é de “não viajar” devido a riscos de crime e sequestro.

Ponta Porã: ‘exagero gritante’, diz prefeito

O prefeito Eduardo Campos (PSDB) classificou o alerta como um “exagero gritante”. Para ele, a medida não reflete a realidade da cidade. “Ponta Porã é uma cidade que tem um clima absolutamente tranquilo. Esse clima que estão tentando vender não é uma realidade”, afirmou. Ele disse ainda que não vê necessidade de medidas concretas por parte da prefeitura e que a vida segue normalmente.

Corumbá: prefeito reconhece desafios, mas defende cidade

Já Gabriel Alves de Oliveira (PSB), prefeito de Corumbá, adotou tom mais cauteloso. “É preciso separar as coisas. A fronteira, por sua própria característica, exige atenção permanente e não podemos ignorar a atuação de organizações criminosas e os crimes transnacionais que existem nessa região”, disse. Ele destacou que a população local vive e trabalha normalmente e que a cidade recebe turistas. “Temos que trabalhar para mostrar a realidade da cidade com transparência, sem esconder os desafios, mas também sem permitir que eles sejam generalizados”.

O prefeito defendeu a integração entre forças de segurança estaduais, federais e municipais como caminho para enfrentar o crime organizado. Citou a Operação Integrar – Fronteira Pantanal, realizada em março, que reuniu PM, PC, DOF, PF, PRF, Receita, Forças Armadas, MP, Guarda Municipal e Agência de Trânsito. “A Prefeitura vai continuar fazendo aquilo que está dentro das suas atribuições e, principalmente, cobrando e trabalhando em parceria”, completou.

Guerra entre facções se espalha pelo estado

A disputa entre PCC e Comando Vermelho não se restringe à fronteira. Em Corumbá, o soldado da PM Marcelo Pimenta da Silva, 32 anos, foi morto durante abordagem. A polícia aponta que o conflito está ligado a um desacordo interno entre traficantes pelo controle da droga que entra pela Bolívia. Em Maracaju, a execução de Deborah Martines Escardin, 32 anos, também é investigada como reflexo da guerra entre facções. Em Cassilândia, Márcio Aparecido da Silva Filho, 27 anos, e a filha de 3 anos foram mortos; a suspeita é de ataque do CV. Listas com nomes de supostos integrantes do PCC circulam em perfis de propaganda do CV, com ameaças e a palavra “eliminados” ao lado de alvos já mortos. A Sejusp afirma monitorar as postagens, mas nega que representem ameaça relevante à segurança pública estadual.

O que diz o alerta dos EUA

O alerta nível 4 recomenda que funcionários do governo norte-americano só entrem na faixa de 160 km da fronteira com autorização específica. Os municípios atingidos em Mato Grosso do Sul são:

  • Corumbá
  • Ladário
  • Ponta Porã
  • Bela Vista
  • Porto Murtinho
  • Mundo Novo

O alerta abre exceção para o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, localizado em Poconé (MT). A exceção não altera a classificação dos municípios sul-mato-grossenses, que continuam dentro da faixa de risco.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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