Operação desarticula esquema de R$ 300 milhões em perfumes árabes clandestinos
Força-tarefa cumpre 16 mandados em MS, SP e PE contra organização que importava perfumes do Paraguai sem pagar impostos.
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Uma força-tarefa inédita deflagrada nesta terça-feira, 22 de setembro, desarticulou uma organização criminosa bilionária especializada na importação clandestina e distribuição de perfumes estrangeiros. Batizada de Operação Perfume de Mulher, a ação conjunta entre a Receita Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga crimes de evasão de divisas e lavagem de capitais que movimentaram mais de R$ 300 milhões.
Ao todo, estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. As ordens partiram da 3ª Vara Federal de Campo Grande, que também determinou o confisco de bens dos investigados até o limite de R$ 100 milhões — com previsão expressa de bloqueio de criptoativos. A Justiça também decretou a prisão da mulher apontada como a coordenadora central de todas as atividades ilícitas do grupo.
Como funcionava o esquema de contrabando de perfumes
As investigações revelam que a quadrilha introduzia perfumes estrangeiros no Brasil, principalmente da badalada linha árabe, sem o pagamento de impostos. Os produtos vinham do Paraguai, cruzavam a fronteira por Ponta Porã (MS) e eram estocados em depósitos clandestinos. O esquema começou com depósitos centralizados em Campo Grande, mas expandiu a logística para centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco, de onde as mercadorias seguiam para o restante do país. Caixas de celulares foram apreendidas durante as buscas realizadas na operação.
Vendas online e uso de influenciadores digitais
O grupo operava fortemente na internet. As vendas ocorriam em redes sociais, marketplaces e grandes plataformas de comércio eletrônico, contando inclusive com a contratação de influenciadores digitais para dar tração aos produtos. Um dos sites monitorados apresentava a marca como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil”. Para camuflar o crime, os envolvidos utilizavam empresas de fachada, notas fiscais inidôneas, declarações de conteúdo falsas e laranjas para movimentar valores incompatíveis com suas capacidades financeiras.
O uso de criptomoedas era frequente para pagar os fornecedores no exterior. O cerco ao grupo vinha se fechando nos últimos anos: entre 2024 e 2026, foram registradas mais de 20 apreensões ligadas à organização, incluindo um flagrante em outubro de 2025 que reteve R$ 10 milhões em mercadorias.
Impacto na economia formal
Segundo a Receita Federal, esse mercado pirata destrói a livre concorrência, lesa os cofres públicos e prejudica severamente a economia formal.
Movimentação policial em Campo Grande
Na Capital, a movimentação policial chamou a atenção dos moradores logo cedo. No bairro Vivendas do Bosque, cinco viaturas oficiais fecharam a frente de uma residência na Rua Antônio Maria Coelho. Agentes do Ministério Público e da Receita Federal precisaram utilizar uma escada para saltar o muro e acessar o interior do imóvel. Outro mandado de busca também foi cumprido simultaneamente em um endereço no bairro Monte Castelo.
Primeira operação conjunta histórica no estado
A megaoperação mobilizou uma força de trabalho com 50 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal, 50 integrantes do MPF e 30 do MPMS. O marco operacional destaca-se por ser a primeira vez na história de Mato Grosso do Sul que a Receita Federal atua em cooperação simultânea com o GAECO Federal e o GAECO Estadual.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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