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Operação mira esquema de R$ 300 mi com perfumes importados em 3 estados

Organização criminosa é alvo de ação conjunta que cumpre 16 mandados em MS, SP e PE; perfumes entravam no país pelo Paraguai.

22/09/2026 às 07:45
3 min de leitura

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Uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 300 milhões com a importação clandestina e distribuição de perfumes estrangeiros é alvo da Operação Perfume de Mulher, deflagrada nesta terça-feira (22). A ação conjunta envolve a Receita Federal, o MPF (Ministério Público Federal) e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), com 16 mandados de busca e apreensão cumpridos em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco.

Autorizada pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, a operação também determinou a apreensão de bens dos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo criptoativos. A Justiça ainda decretou a prisão da responsável apontada pelas investigações como coordenadora das atividades do grupo.

Como funcionava o esquema de importação clandestina

Segundo as apurações, a organização era responsável pela entrada ilegal de perfumes estrangeiros, principalmente da linha árabe, vindos do Paraguai. Os produtos ingressavam no Brasil pela região de fronteira de Ponta Porã e seguiam para depósitos clandestinos.

Inicialmente, os estoques ficavam em Campo Grande. Depois, a distribuição teria sido ampliada para centros em São Paulo e Pernambuco, de onde os perfumes eram enviados para diferentes estados brasileiros. A venda ocorria principalmente por redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico, com apoio de influenciadores para divulgar os produtos.

Lavagem de dinheiro e uso de criptoativos

Em um dos sites atribuídos ao grupo, a empresa se apresentava como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” e contava com diversas revendas no país. As investigações apontam que os envolvidos utilizavam notas fiscais inidôneas, declarações de conteúdo falsas e diferentes pessoas jurídicas para dar aparência de legalidade às operações.

Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, interpostas pessoas, ocultação de patrimônio e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados. As apurações apontaram ainda o uso de criptoativos em negociações com fornecedores no exterior.

Apreensões e prejuízos ao comércio legal

Entre 2024 e 2026, mais de 20 apreensões foram relacionadas ao grupo. Em outubro de 2025, uma operação resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente. Na ação desta terça-feira, os agentes cumpriram mandados em uma residência no bairro Vivendas do Bosque, em Campo Grande, e em um imóvel no bairro Monte Castelo.

Durante as buscas, foram apreendidas caixas de celulares e outros materiais. A Receita Federal aponta que o comércio ilegal de perfumes importados provoca prejuízos à arrecadação tributária, à livre concorrência e à economia formal.

A operação reúne 50 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal, 50 integrantes do MPF e 30 do MPMS. Segundo os órgãos, esta é a primeira operação deflagrada em Mato Grosso do Sul com participação simultânea da Receita Federal, GAECO-MPF e GAECO-MPE/MS.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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