Justiça condena concessionária da BR-163 por risco elétrico a técnicos
A Justiça do Trabalho condenou a concessionária Motiva Pantanal, da BR-163 em MS, por risco elétrico a trabalhadores. Cabe recurso.
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A Justiça do Trabalho condenou a concessionária Motiva Pantanal. A empresa administra a BR-163 em Mato Grosso do Sul. O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) moveu a ação civil pública.
A sentença é do juiz Marco Antonio de Freitas, titular da Vara do Trabalho de Campo Grande. A assinatura ocorreu em 18 de setembro. A concessionária ainda pode recorrer.
Risco elétrico habitual em manutenções
Na decisão, o magistrado reconheceu que técnicos de manutenção eletrônica atuavam com risco elétrico habitual e intermitente. As perícias apontaram contato com instalações energizadas.
Parte das tarefas envolvia sistemas de 12V e 24V. Os laudos, porém, identificaram intervenções em quadros elétricos e circuitos de 220V. Houve também acesso a uma subestação de 13,8 kV.
Atividades dos técnicos na BR-163
Os empregados faziam manutenção preventiva e corretiva em mais de 20 quadros elétricos. Esses equipamentos ficam em sala do gerador, sala de painéis, setores administrativos e túneis de pedágio.
- Procedimentos: limpeza, reaperto de componentes, troca de peças e medições elétricas.
- Equipamentos: multímetros, alicates, ferramentas isoladas e detectores de tensão.
- Condição de trabalho: parte das intervenções era realizada com quadros energizados ou próximos a instalações com eletricidade ativa.
Falhas na gestão da segurança elétrica
A sentença também identificou problemas na gestão dos riscos elétricos. As principais falhas são:
- Procedimentos: não houve comprovação do cumprimento rigoroso das etapas de desenergização.
- Vestimentas: fornecimento inadequado de roupas com características de condutibilidade e inflamabilidade.
- Treinamentos: falhas na capacitação prevista na NR-10.
- Exames: ausência de exames médicos ocupacionais específicos para exposição à eletricidade.
- Emergência: falta de plano estruturado para acidentes elétricos.
- Laudo: necessidade de atualização do laudo técnico de periculosidade.
Obrigações impostas à concessionária
A Motiva Pantanal terá de cumprir 11 obrigações. A exigência vale após o trânsito em julgado da decisão.
Medidas exigidas pela sentença
- PGR: adotar Programa de Gerenciamento de Riscos para instalações elétricas.
- Emergência: criar plano de emergência para situações com eletricidade.
- Procedimentos: formalizar ordens de serviço e protocolos de desenergização.
- Proteção coletiva: adotar medidas de proteção coletiva nos serviços.
- Vestimentas: fornecer roupas compatíveis com os riscos elétricos.
- Fatores adicionais: controlar atividades como trabalho em altura e confinamento.
- Exames e treinamentos: realizar exames médicos e capacitações específicas.
- Periculosidade: elaborar laudo técnico para avaliar as funções.
Se a empresa descumprir as determinações, a multa pode chegar a R$ 100 mil.
O que disse a concessionária
Nos autos, a concessionária alegou que os serviços envolviam apenas equipamentos desenergizados ou sistemas de extra-baixa tensão. A defesa negou a caracterização de atividade perigosa.
Os argumentos foram contestados por documentos e perícias técnicas feitas pelo MPT-MS e pela Justiça do Trabalho. O laudo afastou a tese de que as atividades eram limitadas a equipamentos de baixa tensão ou permanentemente desligados.
Denúncia levou à ação civil pública
O processo começou após denúncia sobre a ausência de pagamento de adicional de periculosidade. O benefício era destinado aos técnicos de manutenção eletrônica.
Durante a apuração, o MPT pediu informações à empresa. Não recebeu manifestação inicial.
Em agosto de 2024, a Divisão Pericial do MPT elaborou relatório. O documento apontou a necessidade de avaliar os riscos das atividades.
O órgão apresentou proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). A empresa, porém, argumentou que os serviços eram realizados em sistemas de baixa tensão.
Em maio de 2025, nova análise técnica manteve o entendimento. As medidas de segurança precisavam de adequação.
Sem acordo, o MPT ingressou com a ação na Justiça do Trabalho. A reportagem procurou a assessoria da concessionária. Aguarda retorno sobre o caso.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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