Pesquisa desvenda perfil e carências de escolas indígenas de MS
Levantamento do Observatório da Cidade/UFMS traça perfil e revela falta de infraestrutura em 69 escolas indígenas de Mato Grosso do Sul.
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Mato Grosso do Sul tem 69 escolas indígenas distribuídas em 24 municípios, com 20.219 estudantes matriculados. O levantamento, feito com dados do Censo Escolar 2025 do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) pelo Observatório da Cidade, vinculado à UFMS, mostra o perfil dessas instituições e aponta as principais carências de infraestrutura.
Perfil dos estudantes e das escolas
Das matrículas, 88,5% são de alunos autodeclarados indígenas. Os demais se dividem entre pardos (5,3%), brancos (3,5%), não declarados (2,5%) e pretos e amarelos (0,1% cada). As escolas não exigem que os alunos sejam exclusivamente indígenas.
As unidades são geridas pelas redes municipais (47 escolas) e estadual (22 escolas), e estão localizadas em cidades como Amambai, Dourados, Campo Grande, Aquidauana, Sidrolândia, entre outras.
Bilinguismo e calendário adaptado
Escolas indígenas adotam projeto político-pedagógico voltado à cultura local, com bilinguismo ou multilinguismo. Do total, 61 escolas ensinam a língua indígena e o português; três usam apenas o idioma nativo e cinco somente o português. O calendário e os materiais são adaptados à realidade de cada comunidade.
Infraestrutura: o que falta
O levantamento revela que, apesar de a maioria ter internet (68 escolas), outros itens essenciais são escassos:
- Quadra de esportes: presente em 57 escolas.
- Laboratório de informática: disponível em 34 unidades.
- Biblioteca ou sala de leitura: existente em 30 escolas.
- Laboratório de Ciências: apenas 2 escolas contam com o espaço.
- Sala de AEE (Atendimento Educacional Especializado): presente em 15 escolas.
- Transporte escolar público: atende 8.121 estudantes (6.794 municipais e 1.327 estaduais).
Equipamentos multimídia estão disponíveis em 61 escolas e computadores em 59. A falta de laboratórios de Ciências e de espaços de leitura é apontada como um dos principais gargalos.
Desafios para a educação indígena
Apesar de o transporte escolar alcançar menos da metade dos alunos, a internet é praticamente universal. A pesquisa mostra que o avanço em infraestrutura ainda precisa chegar a áreas fundamentais para o ensino de qualidade nas comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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