Advogado e delegado viram réus por vazamento da Operação Infiltrados
Justiça de Campo Grande aceita denúncia do Gaeco e torna advogado e delegado réus por vazamento da Operação Infiltrados.
Anuncie Aqui
A Justiça de Campo Grande aceitou a denúncia contra o advogado Amilton Ferreira de Almeida e o delegado Hoffman D’Ávila Cândido. A decisão é do juiz Adriano da Rosa Bastos, da 2ª Vara Criminal. Com isso, os dois viraram réus por vazamento de informações da Operação Infiltrados, do Gaeco.
Vazamento da Operação Infiltrados é alvo de ação penal
De acordo com a acusação, Amilton repassou informações sigilosas a Hoffman na madrugada de 24 de setembro. O advogado teria avisado o delegado sobre a operação antes do cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão.
Os dois são acusados de tentar dificultar investigação envolvendo organização criminosa. O crime está previsto no artigo 2º, parágrafo 1º, da Lei Federal nº 12.850/2013. A pena varia de três a oito anos de prisão, além de multa.
Cronologia do vazamento
Registros do Sistema Alerta Brasil mostram a movimentação do advogado antes do aviso por WhatsApp:
- 4h38: veículo de Amilton circulava por Campo Grande;
- 4h57: carro passou pelas proximidades do Gaeco;
- 5h: advogado enviou mensagem a Hoffman;
- 5h24: policiais chegaram à casa do delegado, que já tinha saído.
Quando se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil, Hoffman estava sem o celular. As comunicações dele foram obtidas por interceptação autorizada pela Justiça.
Justiça analisa limites da atuação do advogado
O juiz considerou que há indícios suficientes para a ação penal, mas as circunstâncias do vazamento ainda precisam ser esclarecidas. Um dos pontos é saber se Amilton agiu dentro do exercício profissional da advocacia. Ou se participou de uma tentativa de atrapalhar a investigação.
“É certo que a exata delimitação das condutas imputadas constitui questão relevante para o adequado deslinde da controvérsia”, afirmou o juiz na decisão.
A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul) foi incluída no processo como terceira interessada. A Comissão de Prerrogativas poderá acompanhar o caso e intervir se for necessário.
Defesa prévia e situação dos réus
Agora, os acusados têm 10 dias para apresentar defesa prévia, contados a partir da intimação. Nesse período, eles podem:
- Contestar as acusações;
- Apresentar documentos;
- Indicar provas;
- Relacionar até 8 testemunhas cada.
O advogado responde ao processo em liberdade, por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça). O delegado permanece preso na Garras, em Campo Grande, por decisão relacionada ao processo principal da Operação Infiltrados.
O juiz considerou prejudicado o pedido do Ministério Público para converter a prisão temporária de Amilton em preventiva.
Operação Infiltrados investiga desvio de drogas
A investigação principal apura a suspeita de policiais envolvidos no desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul. Segundo o Gaeco, o grupo usava o acesso a unidades policiais para retirar carregamentos e devolvê-los ao mercado ilegal.
A denúncia contra o advogado e o delegado faz parte da segunda fase da operação, chamada Obstructio. A defesa de Amilton nega o repasse de informações. A reportagem não conseguiu contato com a representação de Hoffman.
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
Ver mais matérias
Comentários