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ESTADO

Áudios ligam Palermo a acertos do sequestro da filha

Áudios obtidos pela Polícia Civil revelam que suspeitos do sequestro da filha do traficante Palermo combinaram pagamentos via Pix antes e depois do crime.

31/10/2026 às 09:48
3 min de leitura
Gravações e comprovante de Pix usados na investigação do sequestro da filha de Palermo
Pertences de vítima e caixa onde eles foram colocados para devolvê-los a ela após fim do cárcere; fotos foram extraídas do celular de um dos investigados (Foto: Reprodução)

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Áudios obtidos pela Polícia Civil revelam que suspeitos do sequestro da filha do traficante Palermo combinaram pagamentos via Pix antes e depois do crime. As conversas foram extraídas do celular de Reinaldo Silva de Farias, o “Rei”, apontado como coordenador operacional.

Investigação aponta Palermo como mandante

O material integra o relatório complementar da Garras, que atribui a Gerson Palermo a autoria do crime e a Reinaldo a coordenação em campo. Segundo os investigadores, as mensagens mostram que o grupo planejou a abordagem, preparou o veículo, escolheu o cativeiro e negociou pagamentos relacionados à operação.

As conversas começaram em 23 de outubro, um dia antes da captura da jovem, e seguiram até depois da libertação. Nelas, os envolvidos citam valores de:

  • R$ 1.200 – citado no dia 24, para estrutura do plano
  • R$ 2.800 – mencionado após a libertação, na devolução de objetos
  • R$ 17.200 – valor de transferência rastreada pela polícia

Primeiras tratativas citam R$ 1.200

Na primeira gravação, do dia 23 às 13h50, um interlocutor pergunta quanto seria necessário adiantar às pessoas encarregadas do “serviço”. “O que é o dinheiro que você vai precisar para esses caras adiantado aí, para fazer esse trabalho lá”, diz o áudio.

Na manhã seguinte, outra gravação menciona uma cobrança de R$ 1.200 e a logística para a ação. “Ele cobra 1.200,00. É porque é demorado, minha logística é grande”, afirma. O diálogo também cita a descoberta de uma casa de festas, depois identificada como o cativeiro.

Vítima foi atraída e mantida em cárcere

Na noite de 24 de outubro, a jovem foi atraída para um veículo após receber a informação de que buscaria dinheiro para despesas familiares. Ela acabou rendida e levada ao cativeiro, onde sofreu agressões e ameaças enquanto os sequestradores exigiam valores que alegavam pertencer a Palermo.

O relatório não esclarece a finalidade exata dos R$ 1.200, se correspondiam ao uso do imóvel, transporte ou remuneração de algum participante.

Pagamentos continuaram após a libertação

Na manhã de 25 de outubro, depois que a vítima foi liberta, os áudios seguem com novas negociações. Uma gravação das 11h08 menciona a devolução de objetos e um valor de R$ 2.800. “Já arrumei uma caixinha, liguei para o motoboy e já foi”, diz o trecho.

Quatro minutos depois, outra conversa trata do repasse de quantias. Um interlocutor pede os dados bancários para receber dinheiro: “Manda o Pix aqui que é para entrar o dinheiro”. Às 11h23, outro áudio cita R$ 17.200: “Tem que dar 17.200,00”.

Transferência de R$ 17.200 é rastreada

A Polícia Civil encontrou um comprovante de transferência de R$ 17.200 feita por Jessyka Aparecida Goes Castro para Ben Hur Giordano Dias Albuquerque, o “Japa”, um dos participantes diretos do sequestro. A investigação suspeita que o montante serviu para remunerar os envolvidos.

Ben Hur participou dos preparativos, manteve contato com Reinaldo durante a operação e confirmou uma etapa da captura. Já Jessyka ainda precisa esclarecer a origem dos recursos e sua relação com Palermo. A polícia pediu a quebra de sigilos bancários e a análise integral dos aparelhos apreendidos.

Palermo nega participação no crime

O narcotraficante estava foragido na Bolívia quando a filha foi sequestrada. Ele foi preso em 30 de maio de 2026 e enviado ao sistema penitenciário federal. Em depoimento, negou ter determinado o sequestro. A defesa afirma que o episódio foi uma encenação combinada, versão contestada pela vítima.

Reinaldo também negou participação. A polícia sustenta que o crime teve planejamento prévio, divisão de tarefas e movimentação financeira compatível com a remuneração dos executores.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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