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ESTADO

PF mira R$ 500 mi em haras, mansões e frota de luxo

Operação Ifrit da Polícia Federal e da Receita atinge patrimônio de R$ 500 milhões e bloqueia R$ 300 milhões em contas.

04/11/2026 às 11:47
3 min de leitura
PF apreende haras, mansões e frota de luxo em operação contra o tráfico
Caminhonetes, Mustang e veículos de diferentes modelos estão entre os mais de 150 automóveis apreendidos durante a Operação Ifrit (Foto: Osmar Veiga)

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A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quarta-feira (4) a Operação Ifrit, que atinge um patrimônio milionário de uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas e armas. As medidas alcançam cerca de 160 imóveis, mais de 150 veículos, além de haras, fazendas, lanchas e cavalos de raça, totalizando mais de R$ 500 milhões em bens.

Segundo as investigações, todo o patrimônio foi adquirido com dinheiro de atividades criminosas e usado para ocultar a origem dos recursos. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de até R$ 300 milhões em contas bancárias de 170 pessoas e empresas ligadas ao esquema.

Patrimônio milionário é alvo da operação

As propriedades rurais estão localizadas em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Amazonas. Entre os bens atingidos estão:

  • Imóveis: cerca de 160, entre mansões e apartamentos de alto padrão;
  • Fazendas: seis propriedades com mais de 5 mil hectares;
  • Veículos: mais de 150, incluindo modelos de luxo como Mustang e outros;
  • Animais: cavalos de raça e outros;
  • Outros: lanchas e carros de coleção.

O bloqueio impede que os investigados movimentem os valores enquanto a Justiça analisa a origem do patrimônio. O objetivo é impedir que os recursos continuem financiando as atividades ilegais.

Estrutura criminosa atuava há mais de uma década

O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Dangelo, afirmou que a investigação identificou uma estrutura familiar dedicada ao tráfico de drogas há mais de uma década, com atuação na fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia. A organização obtinha drogas tanto de países vizinhos quanto de materiais que já haviam sido apreendidos pelas forças de segurança.

“Estamos falando de uma organização criminosa bastante forte, que movimentou milhões e milhões de reais, lavou milhões e milhões de reais durante muito tempo e agora responderão pelos crimes na Justiça Federal”, declarou Dangelo.

Segundo ele, a organização também usava violência para manter o esquema, com episódios de tortura, sequestros, cárcere privado e homicídios.

Participação de agentes públicos é investigada

A investigação aponta que três policiais civis foram afastados por suspeita de favorecer criminosos, inclusive com a retirada de drogas de unidades policiais e repasse de informações estratégicas. O superintendente afirmou que a suspeita envolve a retirada de drogas das unidades policiais e o favorecimento com informações.

Crimes imputados aos investigados

Os investigados poderão responder por diversos crimes, conforme a participação de cada um. Entre as suspeitas estão:

  • Organização criminosa com atuação violenta;
  • Tráfico internacional de drogas e armas;
  • Corrupção de servidores públicos;
  • Lavagem de dinheiro com centenas de operações para ocultar recursos;
  • Crimes violentos como tortura, sequestros e homicídios.

Números da Operação Ifrit

A ação mobilizou 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e 7 analistas tributários da Receita Federal. Foram expedidos 76 mandados de busca e apreensão e 26 ordens de prisão, sendo 25 preventivas e uma temporária. Também foram determinadas medidas de monitoramento eletrônico de três investigados e o afastamento de três policiais civis.

As equipes atuaram em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina. A organização era comandada por um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes.

Defesas se manifestam

Em Campo Grande, a PF cumpriu mandados em diferentes endereços. Na loja de veículos ProcuroCar, a advogada Giselli Bompard Nunes afirmou que a defesa ainda não teve acesso ao mandado judicial. Segundo ela, a documentação dos veículos foi apresentada ao delegado e nada irregular teria sido encontrado inicialmente.

O delegado afastado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa teve uma nova ordem de prisão cumprida. Sua defesa afirmou que ainda não teve acesso integral ao processo e considera prematuro se manifestar.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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