PF mira R$ 500 mi em haras, mansões e frota de luxo
Operação Ifrit da Polícia Federal e da Receita atinge patrimônio de R$ 500 milhões e bloqueia R$ 300 milhões em contas.
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A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quarta-feira (4) a Operação Ifrit, que atinge um patrimônio milionário de uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas e armas. As medidas alcançam cerca de 160 imóveis, mais de 150 veículos, além de haras, fazendas, lanchas e cavalos de raça, totalizando mais de R$ 500 milhões em bens.
Segundo as investigações, todo o patrimônio foi adquirido com dinheiro de atividades criminosas e usado para ocultar a origem dos recursos. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de até R$ 300 milhões em contas bancárias de 170 pessoas e empresas ligadas ao esquema.
Patrimônio milionário é alvo da operação
As propriedades rurais estão localizadas em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Amazonas. Entre os bens atingidos estão:
- Imóveis: cerca de 160, entre mansões e apartamentos de alto padrão;
- Fazendas: seis propriedades com mais de 5 mil hectares;
- Veículos: mais de 150, incluindo modelos de luxo como Mustang e outros;
- Animais: cavalos de raça e outros;
- Outros: lanchas e carros de coleção.
O bloqueio impede que os investigados movimentem os valores enquanto a Justiça analisa a origem do patrimônio. O objetivo é impedir que os recursos continuem financiando as atividades ilegais.
Estrutura criminosa atuava há mais de uma década
O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Dangelo, afirmou que a investigação identificou uma estrutura familiar dedicada ao tráfico de drogas há mais de uma década, com atuação na fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia. A organização obtinha drogas tanto de países vizinhos quanto de materiais que já haviam sido apreendidos pelas forças de segurança.
“Estamos falando de uma organização criminosa bastante forte, que movimentou milhões e milhões de reais, lavou milhões e milhões de reais durante muito tempo e agora responderão pelos crimes na Justiça Federal”, declarou Dangelo.
Segundo ele, a organização também usava violência para manter o esquema, com episódios de tortura, sequestros, cárcere privado e homicídios.
Participação de agentes públicos é investigada
A investigação aponta que três policiais civis foram afastados por suspeita de favorecer criminosos, inclusive com a retirada de drogas de unidades policiais e repasse de informações estratégicas. O superintendente afirmou que a suspeita envolve a retirada de drogas das unidades policiais e o favorecimento com informações.
Crimes imputados aos investigados
Os investigados poderão responder por diversos crimes, conforme a participação de cada um. Entre as suspeitas estão:
- Organização criminosa com atuação violenta;
- Tráfico internacional de drogas e armas;
- Corrupção de servidores públicos;
- Lavagem de dinheiro com centenas de operações para ocultar recursos;
- Crimes violentos como tortura, sequestros e homicídios.
Números da Operação Ifrit
A ação mobilizou 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e 7 analistas tributários da Receita Federal. Foram expedidos 76 mandados de busca e apreensão e 26 ordens de prisão, sendo 25 preventivas e uma temporária. Também foram determinadas medidas de monitoramento eletrônico de três investigados e o afastamento de três policiais civis.
As equipes atuaram em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina. A organização era comandada por um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes.
Defesas se manifestam
Em Campo Grande, a PF cumpriu mandados em diferentes endereços. Na loja de veículos ProcuroCar, a advogada Giselli Bompard Nunes afirmou que a defesa ainda não teve acesso ao mandado judicial. Segundo ela, a documentação dos veículos foi apresentada ao delegado e nada irregular teria sido encontrado inicialmente.
O delegado afastado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa teve uma nova ordem de prisão cumprida. Sua defesa afirmou que ainda não teve acesso integral ao processo e considera prematuro se manifestar.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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