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ESTADO

TJMS barra volta de líder de facção aliada ao PCC a MS

Líder do Terceiro Comando Puro em MS, aliado ao PCC, teve recurso negado pelo TJMS e segue preso em Mossoró por mais dois anos.

04/11/2026 às 18:27
3 min de leitura
TJMS barra volta a MS de líder de facção aliada ao PCC; decisão mantém prisão em Mossoró
Tiago Paixão durante julgamento em Campo Grande, em 2023. (Foto/Reprodução)

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O TJMS rejeitou o recurso da defesa de Tiago Paixão Almeida, o Boy. A corte é o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele é apontado como um dos líderes do TCP (Terceiro Comando Puro) em Mato Grosso do Sul. A decisão mantém por dois anos a permanência dele na Penitenciária Federal de Mossoró (RN).

A facção de origem carioca mantém aliança com o PCC (Primeiro Comando da Capital) em Mato Grosso do Sul. Segundo levantamento citado em reportagem do Campo Grande News, a parceria busca conter a expansão do Comando Vermelho. Também protege interesses ligados às rotas do tráfico.

No recurso, a defesa, representada pela advogada Fabiana Ferreira Cantero, sustentou que a permanência em presídio federal constitui medida excepcional. Também alegou falta de fundamentos atuais e concretos para justificar a continuidade da medida.

TJMS aponta risco concreto para negar retorno de líder do TCP

O relator foi o desembargador Luiz Claudio Bonassini da Silva. Segundo ele, os documentos demonstram a persistência dos vínculos de Tiago com a organização criminosa. Segundo o acórdão, ele exerceria função de operador logístico do TCP. Também teria atribuições ligadas à cooptação de agentes públicos.

Informações recentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) relacionam Tiago a fatos sob investigação. As apurações atribuem a ele crimes como:

  • Tráfico de drogas e associação para o tráfico;
  • Extorsão qualificada;
  • Organização criminosa e outros delitos.

Para o tribunal, a capacidade de articulação e a participação relevante de Tiago no grupo justificam a medida. Ele segue em unidade federal de segurança máxima. Os magistrados também afastaram a necessidade de um fato novo. Basta que a decisão demonstre, com fundamentos concretos, que os motivos da transferência inicial permanecem.

O acórdão ressalta que a medida não decorre apenas da gravidade dos crimes. Ela considera as informações sobre a atuação de Tiago e os riscos associados ao retorno. Com isso, o tribunal manteve o período de dois anos definido pelo juízo da execução. O trecho divulgado não traz a data final da permanência.

Transferência para Mossoró ocorreu após pedido da Agepen

As autoridades transferiram Boy para Mossoró em 11 de julho de 2026. Na ocasião, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) havia solicitado a inclusão emergencial no sistema federal. O pedido mencionava:

  • Tentativa de cooptação de servidores;
  • Ameaças;
  • Articulação da facção no Estado.

Antes da transferência, policiais prenderam Tiago em novembro de 2025 durante a Operação Blindagem. A equipe o encontrou em um flat no Edifício Vertigo, no Jardim dos Estados, em Campo Grande. A distância até a região do Tijuca era de cerca de 12 quilômetros. Lá, segundo as investigações, ele tinha influência sobre o tráfico.

A Operação Blindagem investigou uma rede de tráfico de drogas e armas. Segundo o Gaeco, o esquema contava com apoio de servidores públicos para garantir facilidades a presos. As apurações apontaram acesso a celulares e informações sigilosas. Também houve interferência na permanência de integrantes do grupo em unidades de menor segurança.

Boy tem condenações anteriores

Tiago acumula condenações anteriores. Em 2010, o Tribunal do Júri o condenou a 7 anos e 6 meses de prisão. O caso envolveu a morte do primo, em Anastácio. Em outro julgamento, em 2023, os jurados o absolveram da acusação de homicídio relacionada a um crime no Tijuca. Ele permaneceu preso por condenações ligadas ao tráfico.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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