Justiça Federal Suspende Aporte do DF no BRB com Imóveis Públicos
Decisão impede uso de imóveis para cobrir rombo do Banco Master no BRB. Governo do DF pode recorrer.
Anuncie Aqui
A Justiça Federal proibiu o Governo do Distrito Federal de realizar um aporte no Banco de Brasília (BRB) utilizando imóveis públicos para cobrir o prejuízo causado pelo Banco Master na instituição financeira. A decisão, assinada pelo juiz Daniel Carnacchioni, atende a um pedido de políticos do PSB, incluindo Ricardo Cappelli e Rodrigo Rollemberg.
A medida impede a aplicação de pontos cruciais do projeto proposto pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), que havia sido aprovado pela Câmara Legislativa do DF no dia 3 deste mês.
Detalhes da Decisão
A decisão judicial impede o uso de nove imóveis oferecidos pelo governo para fortalecer o capital do BRB. Isso inclui a transferência dos bens para o banco, a oferta dos imóveis como garantia em um empréstimo, e a criação de um fundo imobiliário com os terrenos.
Importante ressaltar que a decisão não afeta a gestão interna do BRB. O banco mantém o direito de realizar sua assembleia geral, agendada para quarta-feira (18), e seus órgãos de controle podem continuar propondo estratégias para lidar com a crise de liquidez, desde que não envolvam a execução imediata dos atos previstos na lei.
Impacto da Decisão
A ação judicial derruba a principal estratégia do governo do DF para cobrir o déficit causado pela crise do Banco Master no BRB, estimado em cerca de R$ 8 bilhões. O BRB não conseguiu vender carteiras do banco de Daniel Vorcaro, e o uso de imóveis era considerado o “plano B” pela administração.
Os imóveis seriam usados para a criação de um fundo imobiliário e como garantia de um empréstimo de R$ 3,3 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Como a decisão é de primeira instância, o governo do DF poderá recorrer.
Segundo o juiz, a lei autoriza o desfalque de bens de empresas como Terracap, CEB, Caesb e Novacap, localizadas em terrenos oferecidos para o BRB, sem qualquer estudo prévio de impacto nos serviços públicos que elas prestam.
A Justiça entendeu que a Câmara Legislativa poderia autorizar o Distrito Federal a transferir bens de outras estatais e do próprio DF, de forma complementar, mas não sugerir instrumentos e métodos de capitalização. “A solução para a crise financeira do BRB deveria se originar da própria instituição financeira e não do Parlamento distrital”, afirmou o juiz.
Até o momento, BRB e governo do DF não se manifestaram sobre a decisão.
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
Ver mais matérias
Comentários