PCC: Wall Street Journal Classifica Facção Como ‘Potência Global na Rota da Cocaína’ e ‘Corporação Multinacional’
Reportagem detalha a expansão internacional do Primeiro Comando da Capital, suas alianças estratégicas e o perfil de atuação discreto focado em negócios, com impacto crescente nos Estados Unidos.
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O Wall Street Journal publicou, na segunda-feira (20) de abril de 2026, uma reportagem que descreve o Primeiro Comando da Capital (PCC) como uma organização com a "eficiência de uma corporação multinacional". Nascido em presídios paulistas, o grupo é comparado à máfia italiana e classificado como a "potência global na rota da cocaína".
A organização, que se formou na década de 1990 a partir de detentos que reivindicavam itens básicos, atualmente soma cerca de 40 mil membros. O PCC opera em quase 30 países, abrangendo todos os continentes, com a única exceção da Antártida.
Expansão e Estratégia Global do PCC
"Atualmente, o grupo conta com cerca de 40.000 membros atrás das grades e nas ruas, além de uma vasta rede de afiliados — o que o torna, segundo algumas estimativas, o maior grupo criminoso das Américas, operando em quase 30 países em todos os continentes, exceto na Antártida", afirma a matéria do jornal norte-americano.
A publicação destaca que o PCC adota um perfil discreto e voltado para os negócios. Diferentemente de narcotraficantes mexicanos, milícias colombianas ou da violência do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, seus membros buscam "fortuna, não fama". Eles evitam ações gratuitas que atraiam atenção policial e midiática. Para ingressar no PCC, os indivíduos passam por um "rigoroso código de conduta interno, e suas cerimônias de juramento às vezes são realizadas por videoconferência".
A organização brasileira forjou alianças estratégicas com grupos criminosos internacionais. Entre eles estão a ‘Ndrangheta, máfia italiana; a Yakuza, do Japão; e gangues da Albânia e da Sérvia. Essas parcerias facilitam o envio de toneladas de cocaína para portos europeus chave, como Antuérpia, Roterdã e Hamburgo. Embora a Europa represente o mercado mais lucrativo para a cocaína exportada pelo PCC, a facção já é considerada um problema crescente para os Estados Unidos.
PCC nos Estados Unidos: Sanções e Pedido de Classificação Terrorista
Autoridades paulistas identificaram em seus organogramas uma "divisão norte-americana" do PCC. O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou o grupo em 2021. Em 2024, bens de operadores financeiros ligados à facção foram congelados. Hoje, em 2026, autoridades americanas rastreiam indivíduos afiliados ao PCC em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Em Massachusetts, brasileiros com vínculos ao grupo já enfrentam acusações de tráfico de armas pesadas e fentanil.
O avanço e a complexidade operacional do PCC levaram policiais e promotores brasileiros a solicitarem que o governo dos EUA classifique oficialmente o PCC como uma Organização Terrorista Estrangeira. Esta medida visa intensificar o combate ao grupo em nível global.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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