NASA Encerra Missão MAVEN Após Mais de Uma Década Desvendando Segredos de Marte
Sonda, crucial para entender a perda atmosférica do Planeta Vermelho, foi declarada irrecuperável após anomalia; legado científico é vasto e fundamental para futuras missões tripuladas.
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A Agência Espacial Norte-Americana (NASA) anunciou, nesta quarta-feira, 3 de junho, o fim oficial da missão Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN). Após mais de 11 anos em órbita do Planeta Vermelho – uma década além de sua missão primária –, a sonda, pioneira na observação exclusiva da atmosfera marciana e sua evolução, foi declarada irrecuperável devido a uma falha crítica em seus sistemas de comunicação.
O último contato com a MAVEN ocorreu em 6 de dezembro de 2025, quando a espaçonave sofreu uma perda inesperada de sinal ao passar por trás de Marte. Um conselho de revisão da NASA, convocado em fevereiro deste ano, determinou que a sonda entrou em modo de segurança e começou a girar em alta velocidade ao reaparecer. Essa rotação extrema esgotou suas baterias, deixando o sistema de comunicações inoperante e a MAVEN em um estado irrecuperável. Embora a causa raiz da anomalia ainda esteja sob investigação, a agência já iniciou o processo de desativação.
Lançada em novembro de 2013, a MAVEN foi fundamental para desvendar um dos maiores mistérios de Marte: como o planeta, que um dia abrigou água líquida e potencial para a vida, transformou-se no mundo árido e gelado que conhecemos hoje. Suas descobertas são cruciais para a compreensão do ambiente marciano.
“A ciência que a MAVEN nos proporcionou é fundamental para informar que tipo de proteção contra radiação e medidas de segurança devemos adotar antes de enviar humanos a Marte”, afirmou Louise Prockter, diretora da Divisão de Ciência Planetária da NASA, no comunicado oficial. Ao longo de sua operação estendida, a equipe científica da missão publicou mais de 800 artigos.
Entre as principais contribuições da MAVEN, destaca-se a comprovação de que ventos e tempestades solares foram os principais responsáveis por “varrer” a atmosfera marciana para o espaço, alterando drasticamente o clima do planeta ao longo da história. A missão também revelou novos tipos de auroras formadas por prótons que, diferentemente da Terra, podem iluminar todo o planeta em Marte. Pela primeira vez em qualquer planeta, a sonda mediu a perda atmosférica por pulverização, um processo onde íons em alta velocidade colidem e ejetam moléculas de gás, como o argônio, para o espaço.
Em 2018, durante uma tempestade de poeira global, a MAVEN confirmou que o aquecimento gerado impulsiona moléculas de água para altitudes extremas, acelerando sua perda para o espaço. Além de realizar observações inéditas do cometa 3I/ATLAS, a sonda desempenhou um papel vital na Rede de Retransmissão de Marte da NASA, detendo o recorde de maior volume de dados retransmitidos de rovers para a Terra em um único dia.
Shannon Curry, investigadora principal da missão, resumiu o sentimento da equipe: “A missão MAVEN realmente avançou nossa compreensão sobre a atmosfera e a evolução de Marte. Nossa equipe científica está excepcionalmente orgulhosa de todas essas descobertas incríveis, que deixarão um legado duradouro para a exploração espacial.”
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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