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INTERNACIONAL

Tribunal israelense prorroga detenção de ativista brasileiro e espanhol-palestino da Flotilha de Gaza

Acusados de vínculos com organização ligada ao Hamas, Thiago Ávila e Saif Abu Keshek tiveram prisão estendida por dois dias; governos de Brasil e Espanha condenam "sequestro".

03/05/2026 às 09:36
3 min de leitura
Agentes de segurança escoltam o ativista brasileiro Thiago Ávila até um tribunal em Ashkelon, em 3 de maio de 2026. Dois ativistas estrangeiros de uma flotilha com destino a Gaza, que foram levados a Israel para interrogatório, compareceram perante um tribunal israelense em 3 de maio, informou à AFP um grupo de direitos humanos que os defende. A flotilha, com mais de 50 embarcações, partiu da França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e levar suprimentos ao território palestino devastado. Conteúdo relacionado

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Um tribunal israelense determinou, neste domingo (3 de maio de 2026), a prorrogação por dois dias da detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek. Ambos faziam parte de uma flotilha humanitária interceptada a caminho da Faixa de Gaza e são acusados por Israel de manterem vínculos com uma organização sancionada pelos Estados Unidos, conforme informou a organização de direitos humanos Adalah à Agência France-Presse (AFP).

A missão, composta por mais de 50 embarcações, zarpou de portos na França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e levar suprimentos ao território palestino devastado. As forças israelenses interceptaram os navios em águas internacionais, na costa da Grécia, na madrugada da última quinta-feira (30 de abril).

Dos 175 ativistas detidos inicialmente, Ávila e Abu Keshek foram trasladados a Israel para interrogatório. No tribunal de Ashkelon, a cerca de 60 km de Tel Aviv, a justiça israelense acatou o pedido de extensão da detenção por dois dias, embora as autoridades tivessem solicitado quatro. A ONG Adalah, que defende os direitos dos ativistas, relatou que Thiago Ávila descreveu ter sofrido “brutalidade extrema” durante a interceptação, sendo arrastado, agredido e perdendo os sentidos, além de ter sido mantido isolado e vendado ao chegar a Israel. Abu Keshek também teria sido amarrado, vendado e forçado a permanecer de bruços.

O Ministério das Relações Exteriores israelense acusa os ativistas de terem ligações com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização que Washington sancionou por supostamente atuar clandestinamente em nome do grupo islamista palestino Hamas. Israel alega que Abu Keshek é um membro proeminente da PCPA e que Ávila está vinculado à organização e é “suspeito de atividades ilegais”. Em contrapartida, os governos do Brasil e da Espanha classificaram a ação como um “sequestro” e exigem a “libertação imediata de seus cidadãos”, com a Espanha reiterando a demanda neste domingo, acompanhada por seu cônsul em Tel Aviv na audiência.

O governo espanhol rechaçou veementemente as acusações de Israel contra Abu Keshek. O incidente, que ocorre em meio a tensões crescentes na região, reacende o debate sobre o bloqueio a Gaza e as missões humanitárias em águas internacionais, com a comunidade internacional acompanhando os desdobramentos.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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