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Hantavírus: Argentina em Alerta por Casos, mas Especialistas Refutam Surto Nacional

Enquanto cruzeiro com três mortes por Hantavírus permanece ancorado, biólogo do Conicet detalha aumento de infecções e descarta epidemia generalizada, apontando para mistério na Patagônia.

06/05/2026 às 22:36
3 min de leitura
Três mortes por hantavírus em cruzeiro foram confirmadas

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A Argentina registrou um aumento no número de casos de hantavírus, mas não há um surto generalizado da doença transmitida por roedores, conforme afirmou ontem, 6 de maio, um especialista à AFP. A declaração surge em um momento de atenção elevada, com um cruzeiro que zarpou da Patagônia enfrentando um foco da doença que já resultou em três mortes. A embarcação, que partiu de Ushuaia em 1º de abril com 147 pessoas, permanece fundeada preventivamente em frente a Cabo Verde.

“Não há nada atípico nem particular. Na Argentina há casos de hantavírus todos os anos”, explicou Raúl González Ittig, biólogo e pesquisador independente do instituto Conicet e professor associado da Universidade Nacional de Córdoba. De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, foram registrados 42 casos da doença em 2026 e 101 até agora no período da campanha epidemiológica (junho a junho), quase o dobro dos 57 do mesmo período anterior.

Apesar do crescimento numérico, o especialista reitera que não se trata de um surto. “O último de que se tem conhecimento ocorreu no final de 2018 em Epuyén, Chubut, quando um peão rural se contaminou; foi a uma festa de aniversário, infectou mais de 50 pessoas e houve 15 mortos”, lembrou González Ittig, autor de diversos estudos sobre o vírus, ao traçar um paralelo com uma situação de surto real.

A Argentina possui quatro áreas endêmicas com distintos genótipos de hantavírus, uma delas nos bosques andino-patagônicos, com a variante Andes. Esta última é a suspeita no navio “MC Hondius”. No entanto, o caso do cruzeiro apresenta peculiaridades: “Na Terra do Fogo, em toda a ilha, tanto do lado chileno quanto do argentino, jamais houve um único registro de hantavírus e tampouco houve amostragens de roedores infectados”, afirmou González Ittig. Isso torna “muito baixas” as chances de infecção em Ushuaia, cidade de partida do navio, localizada 3.000 km ao sul de Buenos Aires.

A doença tem um período de incubação que pode durar várias semanas, e o itinerário dos turistas antes do embarque é desconhecido. “Em particular, o genótipo Andes, que é o que está na zona patagônica, é o único do qual há registro de transmissão pessoa a pessoa”, detalhou o especialista. Ele levanta a hipótese de que, se uma pessoa contraiu o hantavírus e depois embarcou, contaminando outros, isso configuraria um surto a bordo, mas não com origem em Ushuaia. O diretor de Epidemiologia e Saúde Ambiental da província, Juan Petrina, reforçou a tese, considerando “muitíssimo improvável” um contágio local.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou no último domingo, 3 de maio, sobre as três mortes relacionadas a um possível surto. Embora o país registre um número maior de casos isolados, a ausência de um foco geográfico concentrado e a especificidade do incidente no cruzeiro reforçam a posição das autoridades de que não há, até o momento, uma epidemia generalizada de hantavírus em território argentino.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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