UE Exclui Brasil de Lista de Exportadores de Carne por Padrões de Antibióticos
Decisão do Comitê Europeu surpreende governo brasileiro; exportações seguem, mas Brasília busca reversão
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A União Europeia (UE) retirou o Brasil da lista de países autorizados a vender produtos de origem animal para o bloco. A decisão, anunciada nesta terça-feira (12) pelo Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, pegou o governo brasileiro de surpresa.
O motivo da exclusão relaciona-se ao uso excessivo de antibióticos na produção de carne. O Brasil não conseguiu comprovar o cumprimento das rigorosas normas sanitárias europeias. Apesar da medida, as exportações brasileiras para a UE seguem normalmente por enquanto, conforme informou o governo.
Reação do Governo Lula e Próximos Passos
O governo Lula afirmou que tomará todas as medidas necessárias para reverter a decisão. O chefe da Delegação do Brasil junto à UE realizará uma reunião nesta quarta-feira (13) com autoridades sanitárias do bloco. O encontro buscará explicações detalhadas sobre a medida e discutirá os caminhos para a reinclusão do Brasil na lista.
A lista, validada pelos países europeus, define quais nações terceiras podem continuar exportando carne para a Europa a partir de setembro de 2026. Argentina, Colômbia e México, por exemplo, permanecem na relação por cumprirem as normas sanitárias europeias. A UE pode atualizar a lista em breve, após receber as respostas das autoridades brasileiras em Bruxelas.
Contexto Político e Acordo Mercosul
A publicação desta lista reflete o desejo da União Europeia de demonstrar forte vigilância. A medida surge após críticas do setor agrícola e da França à assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai). O acordo, que envolve o agronegócio brasileiro, entrou em vigor em 1º de maio de 2026, em caráter provisório, e aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.
Christophe Hansen, comissário europeu para a Agricultura, defendeu a decisão. “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, declarou Hansen.
Normas Europeias e Combate à Resistência
As normas europeias proíbem o uso de antimicrobianos em animais para promover o crescimento ou aumentar a produção. Além disso, animais não podem ser tratados com antimicrobianos reservados para infecções humanas. Essas medidas integram a política europeia de combate à resistência dos micróbios aos medicamentos e visam evitar o uso desnecessário de antibióticos. O Brasil figura entre os países que buscam impulsionar suas exportações.
*Com informações da AFP
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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