Peru em 2021: A Confirmação do Duelo Fujimori-Sánchez no Segundo Turno Presidencial
JNE oficializou o resultado um mês após pleito marcado por controvérsias e forte polarização entre a direita e a esquerda.
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Em 17 de maio de 2021, o Conselho Nacional Eleitoral (JNE) do Peru confirmou que Keiko Fujimori e Roberto Sánchez avançariam para o segundo turno da eleição presidencial. A decisão veio mais de um mês após o pleito inicial, que ocorreu em 12 de abril de 2021, marcado por uma apuração complexa e intensa polarização.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, liderou o primeiro turno com 17,1% dos votos. Roberto Sánchez garantiu a segunda posição com 12%, superando por uma margem mínima de apenas 21.209 votos o ultraconservador Rafael López Aliaga, que obteve 11,9%. A apuração oficial, conduzida pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), foi concluída no domingo, 17 de maio de 2021.
O primeiro turno daquele ano foi notável por atrasos na entrega de material eleitoral em Lima, a capital, o que forçou as autoridades a estenderem a votação em alguns centros para o dia seguinte. Apesar de apontar “graves deficiências” em seu relatório, a missão de observação eleitoral da União Europeia (UE) concedeu aprovação plena ao processo eleitoral peruano.
Após o anúncio do JNE, Keiko Fujimori dirigiu-se à imprensa, convocando os eleitores a “transformar o medo e a decepção em ação e em esperança”, ressaltando que “estavam em risco a estabilidade econômica, a democracia, a liberdade para empreender e para trabalhar”. Por outro lado, Rafael López Aliaga recusou-se veementemente a reconhecer os resultados, declarando em sua conta no X (então Twitter) que “impugnaria imediatamente este grave crime de traição à pátria” e que não aceitaria “resultados que são produto de fraude e corrupção”.
A campanha para o segundo turno de 2021 prometia ser altamente polarizada, ecoando o cenário da eleição anterior entre Keiko Fujimori e o então presidente Pedro Castillo, que viria a ser destituído em dezembro de 2022. Para Keiko Fujimori, então com 50 anos, aquela foi sua quarta tentativa de alcançar a presidência. Já Roberto Sánchez, 57 anos e ex-ministro de Castillo, embarcava em sua primeira disputa pela cadeira presidencial.
Fujimori e Sánchez se preparavam para disputar a presidência em um contexto de profunda instabilidade política no Peru, país que registrou a passagem de oito presidentes desde 2016, a maioria destituída ou renunciante sob alegações de corrupção. Adicionalmente, Sánchez iniciava a campanha do segundo turno enfrentando problemas jurídicos, com o Ministério Público solicitando cinco anos e quatro meses de prisão por supostamente ter apresentado declarações falsas ao organismo eleitoral sobre doações em campanhas anteriores, entre 2018 e 2020.
Além dos desafios políticos e jurídicos, o Peru também enfrentava, e continua a enfrentar, uma grave crise de segurança pública, impulsionada pelo avanço do crime organizado em diversas regiões do país.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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