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INTERNACIONAL

Uruguai Debate Justiça Após Condenação de Filho que Matou Pai Abusador

Moisés Martínez, 28, cumpre pena de 12 anos por assassinar o pai, Carlos, após descobrir anos de abuso contra a mãe e irmãs. O julgamento, transmitido ao vivo, incendiou a discussão sobre violência doméstica e a atuação do Estado no país.

18/05/2026 às 23:46
3 min de leitura
Moises Martinez

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Moisés Martínez, de 28 anos, cumpre atualmente uma pena de 12 anos de prisão no Uruguai, após um caso de parricídio que abalou o país e desencadeou um intenso debate público sobre violência doméstica e a resposta do Estado. O jovem foi condenado por assassinar o pai, Carlos Martínez, com 14 tiros, depois de descobrir que ele abusava da mãe e das irmãs por anos. O julgamento, acompanhado ao vivo por milhares de cidadãos via YouTube, gerou grande comoção e indignação nacional.

A trágica história familiar veio à tona anos antes, quando Sara Martínez, uma das irmãs, tinha apenas 12 anos. Conforme relatou à BBC News, ela denunciou o próprio pai após presenciar o abuso sexual da irmã mais velha, Ana. Sara escreveu a denúncia em um bilhete, que chegou à diretora da escola. A investigação resultou na condenação de Carlos Martínez a três anos de prisão, dos quais ele cumpriu apenas um, deixando a família exposta à sua contínua presença, inclusive em locais de estudo e trabalho das filhas.

Foi apenas em maio de 2025, há pouco mais de um ano, que Moisés Martínez tomou conhecimento da extensão dos abusos, após conversas dolorosas com a mãe e as irmãs. A família revelou anos de agressões físicas e sexuais cometidas por Carlos. Apesar das tentativas de Sara de dissuadir o irmão, Moisés decidiu confrontar o pai. No dia seguinte ao encontro, em Montevidéu, ele tirou a vida de Carlos com 14 disparos, permanecendo ao lado do corpo por dois dias antes de se entregar às autoridades.

Durante o julgamento, a defesa de Moisés tentou invocar um dispositivo do Código Penal uruguaio que permite o perdão judicial em casos de homicídio cometidos sob “intensa comoção” decorrente de violência doméstica prolongada. Contudo, a juíza María Noel Odriozola rejeitou o pedido, argumentando, segundo o advogado Rodrigo Rey à BBC, que a família não havia recorrido a mecanismos de proteção nos 15 anos anteriores ao crime. A condenação de 12 anos, em vez do perdão, inflamou o debate público no Uruguai sobre a eficácia da justiça em casos de violência doméstica e a responsabilidade do Estado.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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