Putin e Xi reafirmam aliança “inabalável” em Pequim após visita de Trump
Encontro entre os "velhos amigos" consolida parceria estratégica e envia recado ao Ocidente, dias depois de Donald Trump tentar estabilizar relações EUA-China.
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O presidente russo, Vladimir Putin, chegou a Pequim na terça-feira (19) para um encontro crucial com seu homólogo chinês e “velho amigo” Xi Jinping. A visita, que busca reiterar a solidez dos laços bilaterais, ocorre poucos dias após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter concluído uma visita de Estado à China, a primeira de um líder americano em quase uma década, com o objetivo de estabilizar as turbulentas relações entre Washington e Pequim.
Putin aterrissou no Aeroporto Internacional de Pequim pouco depois das 23h15 (horário local), onde foi recebido com honras por uma banda militar, conforme imagens divulgadas pela emissora estatal CCTV. O Kremlin havia confirmado a viagem na última sexta-feira, poucas horas depois da partida de Trump. Em pauta para os dois líderes estão discussões sobre o “fortalecimento contínuo” da parceria estratégica e a “troca de opiniões sobre questões internacionais e regionais cruciais”, segundo comunicado oficial russo.
Os laços entre Putin e Xi têm se aprofundado significativamente desde a invasão russa à Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Desde então, o líder russo tem feito visitas anuais a Pequim, num momento em que Moscou enfrenta isolamento diplomático e crescente dependência econômica da China, que se tornou a principal compradora de petróleo russo sob sanções internacionais. No último domingo, os presidentes trocaram cartas de felicitação para celebrar os 30 anos da associação estratégica entre seus países.
Xi Jinping afirmou que a cooperação entre Rússia e China tem se “aprofundado e consolidado continuamente”, enquanto Putin, em mensagem de vídeo ao povo chinês na terça-feira, declarou que as relações atingiram “um nível verdadeiramente sem precedentes” e que o “comércio entre Rússia e China continua crescendo”. O presidente russo acrescentou que, “sem nos aliarmos contra ninguém, buscamos a paz e a prosperidade universal”, uma declaração que, embora sem citar países, é vista como uma resposta indireta às pressões ocidentais.
A recepção calorosa de Xi a Putin, com a designação de “velho amigo” – uma linguagem não utilizada para Trump na semana passada – sublinha a diferença na percepção de Pequim sobre suas relações com as duas potências. Putin, que reciprocamente chama Xi de “querido amigo”, busca demonstrar que as relações sino-russas permanecem inabaláveis, independentemente dos movimentos diplomáticos dos EUA. Patricia Kim, da Brookings Institution, observa que, embora a visita russa possa não ter a mesma pompa da americana, “a relação entre Xi e Putin não exige este tipo de gesto de apaziguamento”, pois seus vínculos são considerados “estruturalmente mais fortes e estáveis” do que os laços entre China e Estados Unidos. A China, embora peça negociações para encerrar a guerra na Ucrânia, que já dura mais de quatro anos, mantém sua postura de neutralidade e nunca condenou a ofensiva russa.
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André Vilela
Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.
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