Brasil Repudia Tarifa dos EUA e Anuncia Medidas de Reciprocidade
Planalto classifica sobretaxa de 25% como "marco lastimável" e acusa atuação política na decisão norte-americana.
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O governo brasileiro reagiu com veemência à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos nacionais. Em nota divulgada nesta terça-feira, 15 de julho de 2026, o Palácio do Planalto classificou a medida como “um marco lastimável” nas relações bilaterais e anunciou a adoção de ações para proteger a economia e contestar a sobretaxa.
O Brasil iniciará imediatamente os procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade, além de retomar a discussão no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Justificativa Contestada
O governo brasileiro sustenta a ausência de justificativa para as medidas unilaterais dos Estados Unidos. A nota oficial destaca que, segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações provenientes dos Estados Unidos entraram no Brasil sem imposto de importação, e a alíquota média aplicada aos produtos norte-americanos foi de 3,1%.
O Planalto reiterou sua contestação aos fundamentos da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O governo afirmou que o Brasil nunca abandonou a mesa de negociações e apresentou, ao longo do ano de 2025, diversas evidências para refutar acusações de práticas comerciais desleais.
Rejeição a Críticas Internas
O governo brasileiro também rejeitou as críticas dos Estados Unidos ao Pix, à regulação das plataformas digitais e às políticas ambientais do país. O sistema de pagamentos Pix é descrito na nota como “patrimônio do povo brasileiro” e “referência internacional de infraestrutura pública digital”. O texto ainda afirma que o Brasil reduziu significativamente o desmatamento desde 2023 e defende que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como justificativa para práticas criminosas.
O comunicado apontou que 63 das 78 manifestações apresentadas durante as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) foram contrárias à imposição da tarifa adicional. O Brasil afirmou que continuará diversificando seus mercados externos, citando acordos firmados pelo Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura.
Medidas de Apoio e Acusação Política
Em resposta ao aumento tarifário, o Planalto informou que implementará medidas de apoio aos setores afetados por meio do Plano Brasil Soberano. Estas ações se somam à aplicação da Lei da Reciprocidade e à busca por soluções na OMC.
A nota final do governo atribui parte da responsabilidade pela decisão dos Estados Unidos à atuação da família Bolsonaro, mencionando “ativa colaboração” durante o processo de investigação do USTR. O texto sustenta que “interesses eleitorais foram colocados acima da defesa da soberania nacional” e assegura que o governo “não vacilará” na proteção dos interesses do país.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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