Quinta-feira, 16 de Julho de 2026
Menu
POLÍTICA

EUA Aplicam Tarifa de 25% a Produtos Brasileiros; Flávio Bolsonaro Atribui Medida a Lula

Governo Trump justifica sobretaxa por 'medidas injustas' brasileiras; pré-candidato à Presidência de 2026 responsabiliza gestão atual por crise comercial.

16/07/2026 às 20:56
3 min de leitura
Flávio Bolsonaro

Anuncie Aqui

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 16 de julho de 2026, uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A medida gerou reações imediatas no Brasil, com o pré-candidato à Presidência de 2026, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atribuindo a decisão à política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Bolsonaro afirmou que o presidente Lula “cavou o pênalti” para a tarifação. Em transmissão ao vivo no YouTube, o senador declarou: “A gente tentou de todas as formas evitar que essa tarifação chegasse ao Brasil, mas o Lula fez força para isso, cavou o pênalti contra os interesses do povo brasileiro”. Ele também mencionou outras tensões comerciais, como as carnes brasileiras tarifadas em 55% pela China e a retirada do Brasil pela União Europeia da lista de países autorizados a exportar diversos produtos de origem animal para o bloco, anunciada em 5 de maio de 2026 e que deve começar a valer em setembro de 2026.

“Estados Unidos, China, União Europeia, nossos principais parceiros comerciais e o Brasil está tendo este tipo de relação com eles. Ou seja, muito pior para a nação brasileira por causa dessa incompetência”, concluiu Flávio Bolsonaro.

Detalhes da Tarifa e Justificativas dos EUA

A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros foi anunciada na madrugada de quinta-feira, 16 de julho de 2026. A lista de sobretaxa, contudo, excluiu o etanol, a carne bovina e o café. A aplicação da medida ocorreu sob a autoridade da Seção 301 do comércio norte-americano.

Jamierson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), conversou por telefone com jornalistas. Ele afirmou que uma investigação concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos.

Entre os principais problemas indicados pelos Estados Unidos estão:

Ordens judiciais sigilosas obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente.

Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil.

Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos.

Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos.

Falhas no combate à corrupção.

Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.

Greer sinalizou dificuldades nas tratativas com o Brasil. “Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos diversas propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória”, declarou o chefe do USTR.

Ele classificou a postura brasileira como “excesso de declaração de intenção”. Segundo Greer, o Brasil se colocou à disposição para discutir todos os temas, mas isso não representava “uma concessão” para o governo norte-americano.

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

Ver mais matérias