EUA Impõem Tarifa de 25% a Produtos Brasileiros; Alckmin Anuncia Apoio e Critica ‘Sabotadores’
Medida norte-americana sob Seção 301 provoca resposta do governo brasileiro, que planeja programa de suporte e avalia lei de reciprocidade em meio a recordes de exportação.
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Os Estados Unidos anunciaram na madrugada desta quinta-feira, 16 de julho de 2026, uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Em resposta imediata, o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou em reunião em Brasília que o governo criará um novo programa de apoio aos setores afetados pela medida, criticando “aqueles que sabotam o Brasil lá fora”.
A sobretaxa exclui, contudo, etanol, carne bovina e café da lista. A decisão foi tomada sob a autoridade da Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que permite ao governo dos EUA impor sanções comerciais em resposta a práticas comerciais estrangeiras consideradas injustas.
Jamierson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), afirmou em conversa por telefone com jornalistas que a investigação concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos. Greer sinalizou dificuldades nas tratativas com o Brasil, destacando a falta de progresso em negociações que duram mais de um ano.
Principais Problemas Indicados pelos EUA
Entre os principais problemas apontados pelos Estados Unidos estão:
- Ordens judiciais sigilosas que obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente.
- Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil.
- Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos.
- Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos.
- Falhas no combate à corrupção.
- Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.
Alckmin reiterou o compromisso governamental em apoiar a economia nacional. “Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o governo Lula trabalha para apoiar aqui dentro, quem ajuda o Brasil acrescer e a nossa economia, teremos um programa de apoio para quem trabalha e tiver problemas”, disse o vice-presidente.
Apesar do cenário de tensões comerciais, o vice-presidente destacou o desempenho recorde das exportações brasileiras. “No ano passado [2025], o Brasil fez US$ 347,8 bilhões, foi recorde. Este ano [2026], só no primeiro semestre, um novo recorde: foram US$ 184,8 bilhões”, afirmou Alckmin.
Alckmin também mencionou a diversificação de mercados e acordos comerciais recentes. “O Brasil abriu novos mercados e diversificou. Com o emprenho do Lula, fizemos o acordo Mercosul, Singapura e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e o agora o Mercosul, União Europeia e o Brasil defendem o livre mercado com regras da Organização Mundial de Saúde (OMS) e multirateralismo”, explicou.
Sobre a possibilidade de resposta comercial, o vice-presidente confirmou que a lei da reciprocidade está à disposição do governo para ser usada. “Temos uma lei, reciprocidade, que foi aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo, no momento adequado, vai aplicar”, finalizou Alckmin.
O chefe do USTR, Jamierson Greer, detalhou a dificuldade nas negociações. “Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos diversas propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória”, declarou. Greer classificou a postura brasileira como um “excesso de declaração de intenção”, indicando que, embora o Brasil tenha se colocado à disposição para discutir todos os temas, isso não representou “uma concessão” para o governo norte-americano.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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