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Presença paterna aumenta em Campo Grande, mas mães ainda são 80% em reuniões escolares

A presença paterna cresce em Campo Grande com pais que participam da rotina dos filhos, mas mães ainda são 80% em reuniões escolares.

09/08/2026 às 09:56
3 min de leitura
Presença paterna: pais de Campo Grande quebram padrão e acompanham a rotina dos filhos
Alunos participam de atividades na quadra de esportes da Escola Tertuliano Meirelles nesta sexta-feira (Foto: Osmar Veiga)

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A rotina de trabalho ainda é apontada como o principal motivo que afasta pais da vida escolar dos filhos. Em Campo Grande, porém, há quem quebre esse padrão. Demorval de Oliveira Júnior e Fabiano Ribeiro são exemplos de presença paterna ativa.

Presença paterna ganha exemplos com Demorval e Fabiano

O médico veterinário e empresário Demorval de Oliveira Júnior, de 34 anos, mora em São Gabriel do Oeste. Ele tem um filho de 1 ano. “Eu levo na escola, vou à natação, então, em todas as atividades do dia a dia, eu tento estar presente”, disse ao Campo Grande News.

Demorval trabalha das 3h às 14h. “A partir das duas da tarde, ele fica comigo e eu dou todo o suporte para ele”, completa.

Para ele, a participação ativa também divide responsabilidades com a esposa. “Eu tenho uma participação bem ativa, porque acredito que a vida hoje em dia está muito corrida. Então, se deixar só para a mulher, só para a mãe, ela se sobrecarrega demais. Eu procuro ajudar bastante, desde as atividades mais básicas até as mais complexas”, afirma.

Engenheiro defende presença do pai nas reuniões

O engenheiro civil Fabiano Ribeiro, de 42 anos, pai de duas meninas, de 1 e 5 anos, defende a participação ativa como exemplo para o futuro. “É fundamental o pai estar presente sempre. Eu acho que o crescimento das crianças depende muito também da ajuda dos pais, não só do pai, mas da mãe, dos pais em geral. E também é muito gratificante”, afirma.

Fabiano diz que só falta às reuniões em casos extremos. “Só em últimos casos, quando, às vezes, alguma reunião de trabalho ou viagem não dá. Do restante, eu sempre vou, sempre estou presente, porque eu também acho que isso é muito importante para elas”, finalizou.

Mães ainda são 80% em reuniões escolares

Na Escola Municipal Doutor Tertuliano Meirelles, no Bairro Caiçara, cerca de 80% dos responsáveis que comparecem a reuniões sobre notas, comportamento e outras questões da rotina escolar são mulheres. A presença dos homens aumenta nas atividades aos fins de semana.

O diretor Arthur Oliveira afirma que a dificuldade de conciliar trabalho e horários aparece como justificativa frequente. “Existe aquela questão de falar: ‘Puxa, meu serviço, eu não consigo’. Então, o que percebemos que poderíamos fazer de diferente? Nossas reuniões são aos sábados, um dia mais atrativo porque a maioria não tem o compromisso com o serviço”, explicou.

Escola cria Dia da Família para atrair pais

Para ampliar a participação dos responsáveis, a unidade adotou novas medidas:

  • Reuniões aos sábados: horário alternativo para quem trabalha durante a semana.
  • Atendimento flexível: conversas perto do almoço e, se preciso, por volta das 18h.
  • Dia da Família: atividades recreativas para estudantes e familiares.

O Dia da Família foi realizado pela primeira vez no ano passado e repetido neste ano. A programação inclui queimada, pingue-pongue, jogos de tabuleiro, artesanato e oficinas de slime, fotografia e mandalas. “É um momento com o filho diferenciado. Não vai ser só aquela coisa de cobrança, de saber como está o filho”, afirma Arthur.

A diretora adjunta Paula Marciano afirma que a unidade criou o Dia da Família para ampliar a participação. “Quando trouxemos o Dia da Família para a escola, percebemos uma participação maior dos pais. Eles vêm para jogar com os alunos e participar das atividades recreativas”, conta.

Segundo a direção, a presença masculina ainda enfrenta resistência quando o assunto é nota, comportamento ou ocorrência. “Os pais homens têm, sim, uma resistência. O que mais vem são as mães ainda”, relata Arthur.

Especialista recomenda acompanhamento contínuo

Paola Evangelista, coordenadora de Psicologia e Serviço Social Educacional da SED (Secretaria de Estado de Educação), afirma que o acompanhamento familiar deve fazer parte da rotina. “A rotina de acompanhamento proporciona estar atento às questões de forma imediata”, explica.

Segundo Paola, essa participação ajuda na aprendizagem e no desenvolvimento socioemocional. Também mantém a comunicação com a escola. As atividades em datas comemorativas, diz ela, aproximam estudantes, responsáveis e a comunidade escolar.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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